Já não corro mais atrás de faróis verdes
Mas também não fico parado na calçada
Frente à avenida de uma vida sem carros.
Nem por isso morro.
Eu não corro mais por você
Não morro mais por você.
Não fico mais parado na sua
Na rua
Esperando você me atropelar.
E por isso não sofro.
Eu já não sou mais aquele bobo office boy
Talvez um pouco daquele tolo romântico sem teto –
Novos edifícios sobem encobrindo a visão
Ruas amanhecem contrariadas em contramão
Mas a gente nunca muda por completo.
Eu agora vou tranquilo pela calçada, sem pressa
De alcançar meus poucos e renovados ideais
Nada grande, nada absurdo
Nada da solidão de um quarto escuro.
Os carros não cessam na avenida
E mesmo que a cidade pareça encolher
E comer as quebradas calçadas de antigamente,
Eu sigo em frente, na paz de um olhar azul
Num sorriso guardado a quem cruzar o meu caminho
Disposto a se atropelar de caminhões
Carregados apenas de boas intenções.
CRiga.

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