Desmofando Morangos
Cauê Rigamonti
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Still Stone
Eu não me atirei feito a primeira
Não estava no teu caminho
Nem no teu sapato.
Água que bate em mim
Desiste e segue seu curso.
Eu faltei quando a chuva
Finalmente fechou o verão.
Na amarelinha da rua da tua casa
Eu passei pelo céu e pelo inferno.
Eu só rolo num solo de guitarra
Não adianta querer me lapidar.
CRiga.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Tupperware
Até que por aqui se esvaia o que é passado
Eu vou colocando coisinhas novas nos lugares.
Nada de tiranossauros de ouro nas prateleiras
Nem conjuntos de panelas espaciais de promoção.
O segredo é apenas não amaldiçoar o que se quebra
Porque o tempo é implacável contra o que não é eterno.
Se é que existe
Algo de fato eterno.
CRiga.
Tempo da serenidade
Letra cursiva numa carta de boas notícias
O cheiro da terra depois da chuva de primavera
Um café sem pressa nem satisfações
Uma fé de ateu, uma questão de escolha
A folha em branco que desafia
É mais um dia pra preencher
Com a história que é só minha.
CRiga.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
A boca
Quando cala,
instaura a dúvida.
Se fala, é
preciso cuidado
Inclusive para
ouvir.
Pode declamar
poemas
Ou xingar o
motorista.
Dizer que ama
Que tome
cuidado na estrada.
Quando beija no
rosto
É carinho.
Nela é paixão!
Às vezes só selinho
De carinho com
paixão.
Engole sapos
e outras bocas
Mamilos e
mangas da estação.
Faz biquinho
na selfie
E não sabe se
portar sozinha no metrô.
Quando se
abre gargalhando é piada boa
Ou, no desenho
animado, é o vilão.
Quando sorri
é tanta coisa...
Gentileza
Leveza
Amor
Sedução
Felicidade
Lembrança boa
Um “olá”
Um “tchau”
Mal difícil
ser
Geralmente é
muito bom.
É maldita, é
da noite.
Cochicha
preces na igreja
Grita um nome
ao portão
Serve pra ir
a Roma
Ou pra puta
que pariu.
Sozinha sente
a lágrima correr salgada
E engole o
choro disfarçando a dor.
Às vezes
nunca falou
E as mãos
fazem a vez
E a voz.
Às vezes fala
demais
Inclusive com
as mãos –
Que digam os nossos
italianos!
Bate com ela
é baixaria.
Dela pra fora
pode até não ser sério
Mas às vezes
magoa.
Pode dizer
sobre tanta coisa boa...
Por que então
maldizer
Querer
estragar os dias?
Dos buracos
da cabeça
É o único sem
par.
Mas quando
pareia
Incendeia!
Numa ceia dizem
que traiu.
Em outros
tempos tristes
Entregou
inimigos à fogueira.
Hoje engana fiéis
Com fome de
Verdade.
E canta!
Inclusive,
paquera
Morde e
assopra.
Dilacera
Por ódio
E por amor.
CRiga.
sábado, 19 de setembro de 2026
Polyvox
Há uma voz em nós
Que às vezes é urro
Outras é sussurro
Que grita, incita.
E também canta
É santa no Padre Nosso Ave Maria
Brisa que sopra na calmaria
Trovão que amaldiçoa na tempestade.
Uma voz que acalma
Que excita ao ouvido
Que se lê nos gestos
Que se engole, sapos.
É rouca no inverno severo
Pouca na tristeza que consome.
Suave no drops de cereja
Arrepia na surpresa da paixão
Assusta quando é não
Apaixona de novo no tudo bem.
Uma só voz, uma voz só
Um coro de gente que protesta
Um coral que anima a festa
Que acompanha a procissão.
Uma voz que diz o caminho
A voz que fala com o coração.
CRiga.









