Signo às coisas
Rumo ao espírito
Corpos aos desejos
Independência ao caminho
Amnésia à dependência
Música à sem-gracisse
Quadros às paredes
Verdade posta à mesa
Um sorriso singelo
Amarelo então que seja.
CRiga.
Cauê Rigamonti
Signo às coisas
Rumo ao espírito
Corpos aos desejos
Independência ao caminho
Amnésia à dependência
Música à sem-gracisse
Quadros às paredes
Verdade posta à mesa
Um sorriso singelo
Amarelo então que seja.
CRiga.
O que me dói
Não é a tua ausência.
É remover diariamente o pó de sempre
Dos cantos desse apartamento moribundo
E nem ali eu conseguir me encontrar.
Não é apostar abrigo
Em rasas possibilidades.
É este caminhar num silêncio profundo
Enquanto o mundo nega me devolver
A minha rima, ainda que quebrada
Numa esquina de noite qualquer.
O que me dói é a minha ausência
Minha falta de paciência
De parar e escrever um verso
Que não seja por você.
CRiga.
Quando eu voltar do futuro
Numa blitz à meia-noite,
Eu não quero olhar para o relógio
Nem me comover parado no tempo
Polindo o cinza de um Fork Ka selvagem
Num dia ensolarado
Numa estrada que tem nome de funil.
Eu não espero a abóbora carruagem
Nem a bicicross cruzando a lua cheia.
Eu já aprendi a superar as tragédias do mar.
Já apunhalei a bruxa velha da Branca de Neve
Dormindo tranquila na cama do meu pai.
Já tive o privilégio de quebrar o vidro caro
Por alguma confusão de amor.
Já falei do vento que te levou.
Já falei do tempo
E de Drummond.
CRiga.
Era um sábado triste
De notícia triste
De tempo triste
De pessoas tristes.
Até os bonitos e as belas
Eram tristes, pobrezinhos.
Os bebês, as crianças, os casais
Brincavam tristes por obrigação.
Apenas aquela preta sorria.
E me enchia de alegria!
CRiga.
Aproveita que tou fácil, me chama
Praquele depois de amanhã talvez.
Avisa aí de novo o teu novo amor
Que eu pretendo revisitar projetos.
Tem jeito de amar que não é nada pop.
E tem jeito top de a gente ainda se falar.
Tem jeito de a gente se gostar!
Sem querer procurar sarna
Pra você sabe onde é que vai dar.
CRiga.
Nesse labirinto o Minotauro já é um velho amigo
E sair daqui agora nem é mais questão de esforço -
É de se vale a pena me perder de novo
Em outro lugar.
CRiga.
Na noite de tempestade eu te avisei:
“Não te demora!”
Hoje São Pedro me sussurrou no cangote
Dentro daquele meu velho headfone:
“Vou passar forte por aí e afora
E nem sei se é por agora...”.
Se descrês
Procura então a tua nova hora
Num Google relógio da depressão -
Se ele ainda for de graça
Gratuita sempre foi
A flor do meu coração.
CRiga.