quarta-feira, 3 de junho de 2026

Corda bamba

 


Caminho sobre a linha tênue
De uma trágica história de amor.

De um lado
As mãos da confusa trapezista.

Do outro
A queda fatal no meio do picadeiro.

Não sei se posso confiar nas tuas mãos
Em qualquer mão.

Melhor então me soltar.
Melhor de vez me matar.

O show precisa continuar.

CRiga.




terça-feira, 2 de junho de 2026

Deserto

 


Ele devia saber que voltaria.

Mas a cada dia
Esquecia do caminho.

E de novo se perdia!

Mas nada era mais tão ruim assim.

Sabia que o pior é perder-se parado sentado
Esperando a ficha cair.

Pior é não partir
Trilhar o que nasce novo.

Nem que morra aos poucos feito areia, desperdício
Escorrendo pelas mesmas mãos.

CRiga.




Acabou, começou

 


Não me deixe sentir falta de mim
Porque parte de mim não sou eu.

Assim eu te liberto
E fico mais perto de mim.

Mais um dia arrastado
Engasgado, sozinho.

Mas eu conheço agora o meu caminho
Sei por onde fugir e me encontrar.

Talvez lá no final a gente se encontre
Mas não vou cair nessa armadilha novamente.

Agora é para frente, não me tente
Me deixe então eu me lembrar de mim.

Assim eu te liberto
E fico bem mais perto do fim.

CRiga.




segunda-feira, 1 de junho de 2026

Flor

 


Delicada, porém selvagem.
Corajosa, porém cuidadosa.
Exótica, linda, poderosa.

Te espero, te cultivo
Meu jardim agora é fértil
Forte e paciente.

CRiga.






sábado, 23 de maio de 2026

Mudança

 


E o amor onde cabe
Quando a gente ajeita as coisas no lugar?

Só no sótão
Pó no porão.

No cadeado enferrujado do portão
A gente sabe que um dia precisa trocar.

Na mala velha que ainda prefere a viagem
Mas que volta triste ao escuro mofado
Do guarda-roupa remontado.

No caco da última porcelana do casamento
Que escapou por acidente da caixa de papelão.

No porta-retratos novo sobre a velha escrivaninha
Ainda com o recorte da modelo de revista.

No solo final de Confortably Numb
Que o disco riscado nunca deixa terminar.

O amor, quando acaba,
Cabe em qualquer lugar.

CRiga.




domingo, 17 de maio de 2026

Presença

 


Fotografa então o meu espírito desbotado
E empresta um pouco do teu talento
À minha segunda-feira sem cor.

Meu domingo sem nenhuma dor
Minha semana de amor pendente
Pra gente um dia compartilhar.

Meus 242 beijos
Meu abraço ainda quente, o desejo
De me afogar em teu pescoço.

O esboço de uma nova poesia
Eu não mais ousaria te enviar.

Há apenas essa doce presença morena
Uma sentença serena, porém marcante
Feito a arte elegante
De uma fotografia em preto e branco.

CRiga.