quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Still Stone

 


Eu não me atirei feito a primeira
Não estava no teu caminho
Nem no teu sapato.

Água que bate em mim
Desiste e segue seu curso.

Eu faltei quando a chuva
Finalmente fechou o verão.

Na amarelinha da rua da tua casa
Eu passei pelo céu e pelo inferno.

Eu só rolo num solo de guitarra
Não adianta querer me lapidar.

CRiga.




terça-feira, 22 de setembro de 2026

Tupperware

 


Até que por aqui se esvaia o que é passado
Eu vou colocando coisinhas novas nos lugares.

Nada de tiranossauros de ouro nas prateleiras
Nem conjuntos de panelas espaciais de promoção.

O segredo é apenas não amaldiçoar o que se quebra
Porque o tempo é implacável contra o que não é eterno.

Se é que existe
Algo de fato eterno.

CRiga.


Tempo da serenidade

 


Letra cursiva numa carta de boas notícias
O cheiro da terra depois da chuva de primavera
Um café sem pressa nem satisfações
Uma fé de ateu, uma questão de escolha
A folha em branco que desafia
É mais um dia pra preencher
Com a história que é só minha.

CRiga.


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

A boca

 


Quando cala, instaura a dúvida.
Se fala, é preciso cuidado
Inclusive para ouvir.

Pode declamar poemas
Ou xingar o motorista.
Dizer que ama
Que tome cuidado na estrada.

Quando beija no rosto
É carinho.
Nela é paixão!
Às vezes só selinho
De carinho com paixão.

Engole sapos e outras bocas
Mamilos e mangas da estação.

Faz biquinho na selfie
E não sabe se portar sozinha no metrô.

Quando se abre gargalhando é piada boa
Ou, no desenho animado, é o vilão.

Quando sorri é tanta coisa...
Gentileza
Leveza
Amor
Sedução
Felicidade
Lembrança boa
Um “olá”
Um “tchau”
Mal difícil ser
Geralmente é muito bom.

É maldita, é da noite.
Cochicha preces na igreja
Grita um nome ao portão
Serve pra ir a Roma
Ou pra puta que pariu.

Sozinha sente a lágrima correr salgada
E engole o choro disfarçando a dor.

Às vezes nunca falou
E as mãos fazem a vez
E a voz.

Às vezes fala demais
Inclusive com as mãos –
Que digam os nossos italianos!

Bate com ela é baixaria.
Dela pra fora pode até não ser sério
Mas às vezes magoa.

Pode dizer sobre tanta coisa boa...
Por que então maldizer
Querer estragar os dias?

Dos buracos da cabeça
É o único sem par.
Mas quando pareia
Incendeia!

Numa ceia dizem que traiu.
Em outros tempos tristes
Entregou inimigos à fogueira.
Hoje engana fiéis
Com fome de Verdade.

E canta!
Inclusive, paquera
Morde e assopra.

Dilacera
Por ódio
E por amor.

CRiga.