sexta-feira, 3 de julho de 2026

Pra sussurrar

 


Até o limite enquanto a boca sussurra ao ouvido
Eletricidades na ponta da língua.

Até que diga a hora de parar
De comer um doce
De seguir pra casa.

Até de novo vir a falta que faz
Apenas se olhar.

Até que tudo se troque pelo simples toque das mãos
E abraços quentes embaixo de um sol.

Até que enfim se digam amigos
Novos amantes
Tudo novo
Nada como antes.

CRiga.




A leveza on the road

 


Pisavam distraídos nos rocks dos bares
Sem dores vulgares.

Eram apenas luares
E vontades.

Enroscaram-se incertos num domingo de sol no parque
Crianças torciam – e não era pela Seleção.

Eram apenas o calor mal contido
No abraço, a um passo de caírem no lago –
Mas era cedo demais pra se afogar em amor.

Encontraram-se no afago, na prova de fogo –
Ex-amores são o capeta desfilando de moto
Acompanhados e sem capacete.

Mas aprenderam o macete – deixa a dor moer
Porque bom mesmo
É morrer de prazer.

Melhor mesmo é correr sem pressa
No romance ao simples alcance das mãos
Sem segredo, sem inventar medo.

Porque, no final,
Não importa muito aonde se chega –

E sim caminho de se encontrar.

CRiga.




quinta-feira, 2 de julho de 2026

Congelaram um coração

 


Pra que confiar
Se vai amaldiçoar.

Pra que ter
Se quer perder.

Pra que sentir
Se prefere fugir.

Enquanto isso alguém no céu
Raspa uma estrela
E colhe o cristal.

Na jornada o brilho nas mãos
Na terra firme o fogo morto
Da paixão que congelaram.

Assoprou, então, o pó que restou:

Desperdício, desperdício...

CRiga.




sexta-feira, 26 de junho de 2026

Um rio profundo

 


Minha energia te chama nos sinais
Mas teu escudo demais humano só rebate o meu calor
Com o torpor de um eterno inverno sem direção.

Sinto tua tristeza invadir a minha sala
Como um rio negro
Profundo, tenebroso.

Minhas lágrimas não são suficientes
Pra diluir os teus demônios.

O meu sorriso não aquece o porão
Que fazes questão de manter mofado.

Meu abraço vira cansaço.
Meu calor vira vulgaridade.

E a gente então se esquece
Sem maldade.

CRiga.