domingo, 5 de abril de 2026

À boca pequena


Você não terá notícias minhas
Não pelo menos tão cedo assim.

Você sentirá falta de mim.

E não que eu seja mal
Ou seja tão bom assim.

O sorrisinho à boca linda pequena
E o teu olhar de perder estrelas
Não desavisam sobre a chuva na tempestade
Por onde eu sempre quero me molhar
E me perder.

E eu sei que sentirás minha falta.
É, eu sei.

Já convenci amigas e garçons
Pra sempre falarem bem de mim pra você.

É que não desisto
Eu só existo
Em projetos de cardápio.

Nas várias opções de vem pra ser feliz.

CRiga.




 


Trip Hop


 

Não dá pra viver a vida inteira
Procurando uma janela pra escapar
Pra se jogar
Só porque a porta está fechada.

E ela nem está trancada.

Não dá pra ficar bisbilhotando por atalhos
Becos, bares e bocas.
Tem uma avenida de vida
Ali depois daquela mesma esquina.

Fuja das cruzes e encruzilhadas
Aqui é papo reto
Porque é certo que você vai se encontrar.

É que não dá pra ficar feito estátua
Mácula invisível
Previsível
Barata tonta.

Então conta a tua história
Ouça os olhos de alguém.

Ouse fazer planos
Escrever um poema
E dizer que quase de verdade
Você também é ser que ama.

Saia da cama e só volte com alguém
Mesmo que demore a hora que for.

Nem todos merecem
O cobertor do teu abraço
Ou o só ficar para um café.

Nem todos sabem rimar
Aquela mesma rima que seja pobre
Que seja sempre
Uma rima com você.

CRiga.



 

 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Poesia que corre nas veias


Por que insistir, digladiar?
Por que partir, esperar?

Por que e por quem mentir?
Por que e por quem se importar?

Porque o tempo é vasto
E eu não me basto de respostas de biscoito japonês.

Sou poeta
Eu acredito em vez de guardar palavras.

Não guardo nada
Nem sentimentos
Nem olhar profundo.

Eu olho pro mundo sem perguntar por quê.

Eu desbravo cidades por você
Enfrento crenças e diferenças
E na maioria das vezes
Eu venço com maestria.

Porque eu venço com poesia.

Para Dri Sama
(mandou bem no título e na inspiração, minha poetisa!)

CRiga.



quarta-feira, 1 de abril de 2026

Eu hoje conheci uma poetiza

 


É tanta coisa nova bonita no ar que a gente respira
E que pode também virar poesia.

Coisa de felicidade
Que dá até vontade gritar!

É que talvez você não saiba
O que é conhecer uma poetiza de verdade: 

Proprietária de rimas exatas
Uma precisão de flechar a alma
Corpo e coração.

Eu hoje li um poema
Espero não ter errado na harmonia.

Eu hoje conheci uma poetiza
E não era dia.

Nada cala ou cicatriza
O desejo de ler
Mais uma nova poesia.

Para Adriana

CRiga.




terça-feira, 31 de março de 2026

Em uma nota, só


Em cima do piano
Um copo de veneno.

Piano da sofisticação
Pretão, sério demais.

Embebido morreu em si
Menor.

CRiga.

 

terça-feira, 24 de março de 2026

Engula a vida

 


Pode ser caco de vidro
Diamante sofrido
Ou copo americano.

Importante é engolir
Com a alma do garimpeiro que agradece
A pepita do dia.

Nunca com o desespero
Do alcoólatra no balcão de um bar.

CRiga.




domingo, 22 de março de 2026

Não tem outro jeito de falar sobre amor

 

Vamos então com calma.

Aquela que combina carne e alma
Olhos, boca e cabelos de navegar.

Vamos então assim aos poucos
Como os loucos que se jogam do cais.

Vamos fazer então um pouco mais.

Apenas um bom dia ou um boa noite na rede social
E uma cama de solteiro desarrumada para dois.

Vamos então cada um na sua.

Minha sorte é a Lua que não mente
Que só canta você pela frente e por todo lugar agora.

Vamos então com muita calma nessa hora.

Vamos embora, não vale mais o lugar comum
Não vale um, valem dois, boca contra boca
Cílio contra cílio
E um jeito de reajeitar as coisas no porão.

Roupas contra o chão
Seus olhos de verão
Corpos por um triz e na pressa
Nunca cessa o desejo
Isso é apenas ser feliz.

CRiga.