segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Sem dúvidas na encruzilhada

 


Quando eu era criança
Aprendi a ler com amor.

As letras, os olhos
Os corpos, as esperas.

E eu nem sabia o que era esperar!

Foi daí que te encontrei
Eu que era perdido e não sabia.

E quando de novo eu me perdia
Eu te lia nas entrelinhas
E de novo me encontrava.

Quando eu sentia dor você nem existia.
Não insistia, não havia cura inventada
Nem passeios de motocicleta.

Mas você veio feito seta na encruzilhada:

Ou acerta ou não te dou nada
Ou me pega pela cintura
Me diz na boca com boca
Que me quer assim tão louca
Tão pronta
Tão solta
Tão tua
Tão crua
Nua
Nuvem de dia ensolarado
Lua cheia pra se perder de amor.

Então vem comigo, sem dor
Me acompanha com teu sorriso lindo
Não pensa em nada, apenas na estrada
Que só caminhando juntos
É a gente mesmo quem faz.

CRiga.



quinta-feira, 30 de julho de 2026

Alma do Tempo

 


João pergunta a Maria:
“O que temos para comer?”
Maria, seca no olhar, responde:
“Nada, não, João...”

Eis que os olhares encontram
o brilho perdido da colher polida.
Presente de casamento
de um amigo que morreu solteiro,
sem pai nem mãe,
sem ninguém pra dividir a dor.

E eis que fala Maria a João:
“Te amo, mesmo assim...”
E João, molhado o olhar, responde:
“Te amo também, pra sempre!...”

CRiga.




terça-feira, 7 de julho de 2026

Das prioridades que viram tanto faz

 

Eu continuo aqui
Querendo a mesma coisa
A mais difícil
A mais recompensadora.

Cada vez mais sabendo por onde não andar
Onde não estar
Por quem não desperdiçar afeto.

Porque saber do não é um bom caminho
É um bom começo.

“Porque, no final,
Não importa muito aonde se chega - 

E sim o caminho de se encontrar.”

CRiga.





domingo, 5 de julho de 2026

About you

 

Poderia ser sobre amor

Sobre o que simplesmente passou.

Poderia ser sobre esta noite 

Sobre caminhar no parque numa manhã de sol gentil.

Sobre mil coisas que não têm lá muita importância 

Mas que nos fazem tão bem num bate-papo o dia todo.

Poderia ser sobre o que vai acontecer amanhã 

Mas amanhã é apenas um parente distante 

Esperando tua visita a qualquer instante.

Poderia ser sobre um adeus

Sobre sentir saudades

Sobre chorar o fim

Até a alma seca dizer “chega!”.

Poderia ser sobre o dia que te conheci 

Um documento perdido

Uma ilha feita de mel

Um rock and roll dos bons!


Mas, hoje, é sobre você.

E me faltam palavras 

Pra dizer por quê…

CRiga.





sexta-feira, 3 de julho de 2026

Pra sussurrar

 


Até o limite enquanto a boca sussurra ao ouvido
Eletricidades na ponta da língua.

Até que diga a hora de parar
De comer um doce
De seguir pra casa.

Até de novo vir a falta que faz
Apenas se olhar.

Até que tudo se troque pelo simples toque das mãos
E abraços quentes embaixo de um sol.

Até que enfim se digam amigos
Novos amantes
Tudo novo
Nada como antes.

CRiga.




A leveza on the road

 


Pisavam distraídos nos rocks dos bares
Sem dores vulgares.

Eram apenas luares
E vontades.

Enroscaram-se incertos num domingo de sol no parque
Crianças torciam – e não era pela Seleção.

Eram apenas o calor mal contido
No abraço, a um passo de caírem no lago –
Mas era cedo demais pra se afogar em amor.

Encontraram-se no afago, na prova de fogo –
Ex-amores são o capeta desfilando de moto
Acompanhados e sem capacete.

Mas aprenderam o macete – deixa a dor moer
Porque bom mesmo
É morrer de prazer.

Melhor mesmo é correr sem pressa
No romance ao simples alcance das mãos
Sem segredo, sem inventar medo.

Porque, no final,
Não importa muito aonde se chega –

E sim o caminho de se encontrar.

CRiga.