sexta-feira, 26 de junho de 2026

Um rio profundo

 


Minha energia te chama nos sinais
Mas teu escudo demais humano só rebate o meu calor
Com o torpor de um eterno inverno sem direção.

Sinto tua tristeza invadir a minha sala
Como um rio negro
Profundo, tenebroso.

Minhas lágrimas não são suficientes
Pra diluir os teus demônios.

O meu sorriso não aquece o porão
Que fazes questão de manter mofado.

Meu abraço vira cansaço.
Meu calor vira vulgaridade.

E a gente então se esquece
Sem maldade.

CRiga.



quarta-feira, 24 de junho de 2026

 


Procissão de São João

 


Destrua os olhos roxos
Querendo esconder pecado.
O mais pecado dos pecados –
Ousar não ter pecado.

O suor do santinho a caminho
Daquela fontezinha artificial
Não purifica o asfalto caro
Amanhã forrado de santinhos
De campanha eleitoral.

Os fogos do céu são bonitos
Tão bonitos quanto o fogo
Debaixo das saias das meninas.

Não creio em fonte, creio no fogo
Que não mente nos olhos roxos
Que não sente por pecar
E que vive santo, sem machucar.

O pecado mora aqui mesmo
Não precisa procurar ao lado.

CRiga.




segunda-feira, 22 de junho de 2026

O idioma do desejo

 


Não adianta chorar sobre a bebida derramada
Na noite dos cantores.

Bebida doce
E a menina enrolava a língua
Num púbere castelhano
E num inglês de pop sueco
Moreno latino americano.

Nem teve a chance de enrolar a língua
Também por doce embriaguez.

Não adianta se desculpar pela espanhola derramada
Entre os beijos, línguas
Que não queriam tradução.

Queriam apenas a luta ardente
Entre as bocas, o desejo –
Único idioma então corrente.

CRiga.




A begala


Aquela talvez fosse a última vez no dia em que entrava no apartamento recém adquirido. Depois de um dia inteiro fazendo a mudança – que, na verdade, não tinha grandes volumes –, me sentaria à pequena sala já mobiliada, e talvez tomasse mais uma latinha de cerveja. Logo que entrei, o velho e bom “Seu Carlos” estava em sua poltrona predileta, ainda nova porque comprara há pouco tempo, desde que já não podia mais dividir o sofá maior com sua esposa que morrera.

Ele me olhou bem fundo nos olhos. Não era um olhar bravo nem decidido a fazer qualquer mal. Era somente um olhar cansado, mas que em dado momento parecia ter descoberto uma verdade própria que não podia mais lutar contra. Seu Carlos estava com seu melhor terno, e me esperou sentar ao sofá maior, sempre me acompanhando com a cabeça calva, a boca seca e o bigode simpático, volumoso e grisalho. Sua velha e bela bengala de jacarandá estava apoiada no braço direito da poltrona. Olhou as palmas das mãos calejadas, arrumou o resto de cabelo que ainda existia, e pousou mais uma vez as mãos sobre os braços da poltrona. Suas pernas estavam cruzadas ao tornozelo. Levantou a cabeça a mim e disse, de maneira muito serena e aconchegante:

– Sabe... eu não deveria dizer isso, mas invejo vocês, que agora começam uma vida nova, juntos, neste pequeno apartamento onde um dia me refugiei.

– Sente muitas saudades daqui, Seu Carlos?

– Não... quer dizer, sim! Vim para cá, trouxe alguns móveis da casa onde morava com minha amada esposa, que morreu há alguns anos. Aqui eu reconquistei a paz, depois de perdê-la.

Enquanto Seu Carlos falava, fitava o teto e sorria também muito serenamente. Mais uma vez voltou os olhos a mim, já sério, mas nunca com aparência severa:

– Daí que quando vejo vocês se mudando para cá, para o mundo que me refugiei e reencontrei a paz, eu não me sinto muito bem.

– Mas o senhor também tem um belo novo lar...

– Eu sei. Sei bem que o lar que me espera é muito bonito, já me disseram. Ainda não fui lá, estou com receios... É uma bobagem, eu sei, mas às vezes pareço querer ficar...

– O senhor não atrapalharia aqui, mas acho que o senhor se sentirá melhor em sua nova casa...

– Não, eu sei que não devo ficar. Não posso ficar aqui com vocês, esse apartamento já não me pertence. É que a paz que construí aqui é difícil de deixar.

– Eu compreendo, Seu Carlos. Assim como compreendo que, com certeza, em seu novo lar reinará essa mesma paz.

–  Será? Tenho medo. Olha eu, um velho que já passou muitas coisas nessa vida, com medo... Tive medo na hora mais difícil da minha vida, quando perdi minha esposa e me sentia muito só. Eu chorava todos os dias, debruçado sobre nossa cama. Eu orava por ela, mas sentia muito sua falta. Parecia que alma dela se negava a ir embora daquela casa. Pouca coisa trouxe de lá para este apartamento, orei muito mais forte no dia que deixei a casa, e encontrei de novo a paz aqui. Vivi o resto dos meus anos sozinho aqui, mas feliz e com muita paz.

– E o senhor agora tem medo novamente?...

– Sim, um pouco. Mas, olha: da mesma forma que você tem certeza que minha nova casa também há a paz que preciso, tenho certeza de que vocês dois encontrarão a paz que procuram. Serão muito felizes, como eu fui.

– Temos então sua benção, Seu Carlos?

– Claro que têm! Glória e você serão muito felizes, podem ter certeza. O que me faltava era sentar aqui pela última vez, e dizer a você o que nunca tive a oportunidade de dizer: faça minha filha feliz, como eu fiz minha amada esposa feliz... Acho que agora começo a recuperar a coragem de me mudar daqui. Acho que era isso que me faltava. Muito obrigado!

Com seu jeito de bom velho, Seu Carlos levantou-se apoiado em sua velha bengala de jacarandá. Com as mãos apoiadas no topo dela, e com os pés juntos, me olhou ternamente e sorriu o sorriso de sua paz. Virou-se, caminhou até a porta, abriu, saiu, fechou e foi embora para sua nova casa.

Logo depois entra Glória, com a última caixa de seus pequenos pertences. Ela pára em frente à pequena sala, deixa a caixa ao chão, e senta comigo dividindo o sofá. Depois de um beijo longo, vira-se para mim:

– Nós vamos ser muito felizes!
– Eu sei que sim!

Ela se levantou, pegou a caixa ao chão e notou alguma coisa faltando na pequena sala:

–  Onde está aquela bengala de jacarandá que vimos aqui ontem?
–  Não sei...
–  Papai gostava muito dela. Acho que um de meus irmãos deve ter passado aqui e levado. Tudo bem, com qualquer um deles que estiver, está em boas mãos! Quase tudo que está aqui era dele, antes de morrer. Com o que tem aqui, já me sinto feliz! Com certeza, nós e este apartamento têm a benção dele!

– Sim, meu amor! Com certeza!

CRiga.



sábado, 20 de junho de 2026

É primavera nos becos

 


Não sabe os meus segredos
Medos
Vícios.

Nem tem obrigação de saber.

Eu sei
Os teus segredos
Os teus medos
Os teus vícios.

E eu nem tinha obrigação de saber.

A tua disponibilidade é uma cidade de sombras e escombros pra atravessar.

Desisti no meio do caminho, me desculpe -

Num canto de um beco escuro e frio
Um menino me estendeu a mão.

Ele trazia consigo os estragos da noite
Mas também os olhos de uma terna manhã de sol no parque.

Mãos dadas pegamos um atalho
Que dava na tarde ainda nublada
De uma avenida movimentada
Arquivada na memória de um coração.

Na fila do ônibus você estava
E amaldiçoava a solidão.

No walkman eu curtia um novo som
E na calçada eu seguia os rastros
Das flores da minha sempre nova estação.

CRiga.



Ao seu vulgar dispor

 


Sentirás a sorte de uma saudade inconsequente
A morte do poder dizer palavras que não assassinem expectativas
E que tragam novamente a novidade de uma certa paz.

E verás que teu o talento é transformar o diamante bruto
Em areia de ampulheta -

Uma hora a sensação do teu domínio
Simplesmente escorre entre os dedos
Num deserto de sentimentos.

CRiga.




sábado, 13 de junho de 2026

Cozinhando galo


Você já poderia ter-me inteiro
Completamente rendido
À brasa da tua vontade.

Mas deixou-me coração à contramão
Sem crença, paciência e pudor.

Amor é bicho fósforo
Tem gente que é mestre em riscar.

Outras preferem o isqueiro mofado
Cuja chama não queima
E só imita vagalume.

CRiga.

 


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Like a legend

Melhor assim, na tola esperança
Com cheiro de jaqueta de couro.

Meu ouro cabe num três por quatro
Roto, desbotado
Dentro de um bolso furado.

CRiga.

 

A estas horas

 


Quase todos se entregam ao sono
Responsável ou digno
De quem pode ou consegue dormir.

Tranquilo

Sozinho

Consigo

Com um amigo

Um amante

Um fantasma.

Com um corpo apenas frio
Que nem mesmo a morte
Tem a sorte de ter ao lado.

CRiga.




Fogo

 


Simplesmente queima
Teima em ver de novo
Disputar espaço na conversa
Na esgrima de língua
No cheiro contra cheiro
Cílio contra cílio
No beijo, no beijo!

CRiga.




Rock sobre duas rodas

 


Eu queria que você me chamasse
Pro teu rock que não rola
Pra maldoso eu dizer não.

Dizer das verdades que me restam
Quando a emoção vira assunto vulgar
Numa conversa entre amigas.

Dizer da essência, da atenção e da gentileza
Da esperteza de negar estar nas tuas mãos.

Da esperança, doce e ingênua
Da dança boba de ser
O que simplesmente a gente é.

CRiga.  



Dia dos Namorados

 


Uma flor sobre o piano
Há um ano.

A cama quente de um agosto
O gosto de última vez.

Uma primavera pra desabrochar
Me abandonar na estação.

Um coração que implode
Que fode com todas as expectativas
E não sobrevive –

Vive!

Namorando a vida
Emocionado, excitado.

Não queira mesmo mais estar ao meu lado!

Flores morrem sem melodia
A cama esfria
E a estação apenas passa.

CRiga.




segunda-feira, 8 de junho de 2026

Pra que tanta chave de felicidade?

 


Dê duas voltas na chave quando ela ir embora.
Assim na hora em que ela voltar dá tempo
De você pensar mais uma vez.

No que dizer, que sorriso dar.
Porque felicidade é sempre
A gente de novo se encontrar.

Felicidade não mente
É doente só de resfriado.

Saúde, meu bem!
Há ainda um gole do vinho francês
E uma nova versão de Ne Me Quitte Pas.

Abra a porta, o sorriso
Só não denuncie assim logo de cara
O que o coração precisa dizer na urgência.

Tranque a tramela se mais romântico for.
Trame com ela um pecado pra mais tarde.

E depois apenas ria, sorria
Goze com a cara leve e feliz do emoji amarelo
Estampado num velho chaveiro de camelô.

CRiga.



sábado, 6 de junho de 2026

Atropele-se!

 


É você deitado no asfalto molhado da solidão
E o caminhão do rolo compressor dos dias sem propósito
Te esmagar sem pena nem saco pra você reagir.

E quando finalmente você consegue se descolar do buraco perfeito do teu corpo no tapete cinza de rodovia
Você levanta a cabeça pra encarar o motorista que te moeu contra o chão de pedras severas.

E tu te encontras lá em cima ao volante
Sorrindo triunfante
Vivo
Com você.

CRiga.




quarta-feira, 3 de junho de 2026

Corda bamba

 


Caminho sobre a linha tênue
De uma trágica história de amor.

De um lado
As mãos da confusa trapezista.

Do outro
A queda fatal no meio do picadeiro.

Não sei se posso confiar nas tuas mãos
Em qualquer mão.

Melhor então me soltar.
Melhor de vez me matar.

O show precisa continuar.

CRiga.




terça-feira, 2 de junho de 2026

Deserto

 


Ele devia saber que voltaria.

Mas a cada dia
Esquecia do caminho.

E de novo se perdia!

Mas nada era mais tão ruim assim.

Sabia que o pior é perder-se parado sentado
Esperando a ficha cair.

Pior é não partir
Trilhar o que nasce novo.

Nem que morra aos poucos feito areia, desperdício
Escorrendo pelas mesmas mãos.

CRiga.




Acabou, começou

 


Não me deixe sentir falta de mim
Porque parte de mim não sou eu.

Assim eu te liberto
E fico mais perto de mim.

Mais um dia arrastado
Engasgado, sozinho.

Mas eu conheço agora o meu caminho
Sei por onde fugir e me encontrar.

Talvez lá no final a gente se encontre
Mas não vou cair nessa armadilha novamente.

Agora é para frente, não me tente
Me deixe então eu me lembrar de mim.

Assim eu te liberto
E fico bem mais perto do fim.

CRiga.




sábado, 23 de maio de 2026

Mudança

 


E o amor onde cabe
Quando a gente ajeita as coisas no lugar?

Só no sótão
Pó no porão.

No cadeado enferrujado do portão
A gente sabe que um dia precisa trocar.

Na mala velha que ainda prefere a viagem
Mas que volta triste ao escuro mofado
Do guarda-roupa remontado.

No caco da última porcelana do casamento
Que escapou por acidente da caixa de papelão.

No porta-retratos novo sobre a velha escrivaninha
Ainda com o recorte da modelo de revista.

No solo final de Confortably Numb
Que o disco riscado nunca deixa terminar.

O amor, quando acaba,
Cabe em qualquer lugar.

CRiga.




domingo, 17 de maio de 2026

Presença

 


Fotografa então o meu espírito desbotado
E empresta um pouco do teu talento
À minha segunda-feira sem cor.

Meu domingo sem nenhuma dor
Minha semana de amor pendente
Pra gente um dia compartilhar.

Meus 242 beijos
Meu abraço ainda quente, o desejo
De me afogar em teu pescoço.

O esboço de uma nova poesia
Eu não mais ousaria te enviar.

Há apenas essa doce presença morena
Uma sentença serena, porém marcante
Feito a arte elegante
De uma fotografia em preto e branco.

CRiga.



sábado, 16 de maio de 2026

Questão de ter o que escolher

 


O importante é poder mudar os planos
Bem no meio da trajetória de um dia,

Do que não ter planos
Nem trajetória
Nem dia.

CRiga.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Um conformar-se na amiga angústia

 

Sim, não me sento no trono de um apartamento.
Não, eu não tenho tempo pra saber se aguento.

Já aviso – sem tempo e sem porque
Você sabe bem onde isso vai dar.

Sim, pode ser na morte
Destino certo de quem é vivo.

Mas à sorte, sim
Procurando sentido no que parece vivo.

Mas é difícil, e como é!

Não é questão de ser demais seletivo –
É esta a vida que te acontece
Ou não acontece.

Cansa viver de vazio.
Cansa saber que não posso tudo o que quero
E muito mais não saber o que de fato quero.

Não me espera, me deixa.
Não é entrega nem rudez.

É apenas um cansaço morno no peito
Um “aceito” o que vier, o que tem de ser

Mas que seja na minha trilha então!

Mesmo na obrigação daquele seco “ter que”
Ou naquele chato “arrumar um jeito”
De apenas sobreviver.

CRiga.



 

 


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Um domingo de frente fria

 


Sei que você veio até aqui
Espiar com uma desculpa de “coisas pra devolver”
Na boba esperança de me ver.

Num domingo de chuva anunciando uma semana cinza
O azul da atenção dos meus olhos tranquilos
Poderia bem repor qualquer cor para você.

A carona do amigo combinado namorado de mentira
O brinco novo, o jeito forçado de pressa
“Qualquer coisa mando recado”
“Não sei se vou poder atender”.

Nada mais me arrasta até o teu domínio
Você está indo embora, já é hora
Nem precisa cantar pneu –

Eu sou agora o cheiro do asfalto molhado
O som da chuva que acalma
Na hora de dormir,

As coisas úteis que restaram pra amar
Todas guardadas em seu devido lugar.

CRiga.






sexta-feira, 8 de maio de 2026

“No tempo da maldade, acho que a gente nem tinha nascido” *


 


Até aprender que noite nenhuma mais me derruba
Que você não passa mais por esta rua
Que não adianta vagar de bar em bar
Cruzar a cidade pra encontrar ninguém.

Até entender de novo dos céus do meu outono
Reconhecer que os meus braços ainda são um bom lugar
Que os meus planos ainda fazem muito sentido
E que o meu melhor amigo mora em mim.

Até lá
Sabe-se lá o quanto isso vai levar do meu espírito!
Perdido há milênios ele já percorre todas as distâncias
Entre as chamas de todos os infernos de fim de linha.

No final
Eu procuro apenas um céu de amarelinha –

Um algodão doce de nuvem gigante no fim da tarde
Que me devolva o bobo talento de ver bichos
Fadas, amores
E notas musicais.

* “João e Maria” - Chico Buarque/Sivuca

CRiga.



 

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Um joguete

 


Perdi o rumo, a carteira e a identidade
A cidade que me tinha
A certeza de que posso te conquistar.

Eu só te sigo nos sinais
Nada mais me interessa.

Ou não – preciso aprender apenas a me negar
Controlar o olhar atento tão fácil
Que tenta te deter em mais uma noite
Enquanto tua falsa distração diz muito sobre mim.

Diluir o desejo selvagem de se encontrar
Nem que seja à base da blasé água com gás.

Eu estou perigosamente voltando
Mais sério, etéreo
Sóbrio, sombrio, sobrando
Transbordando versos que se perdem nas sarjetas.

Eu insisto e procuro no escuro
Dentro da noite sem guia
Apenas um dia que seja novo.

CRiga.




segunda-feira, 4 de maio de 2026

On the road num solo de “Free Bird”

 


Contra tudo
Contra todos
Contra mim mesmo.

Saí na velha noite fria conhecida de domingo
Tentando conquistar tudo
Enganar a todos
E me reencontrar.

Noites que se parecem, todas iguais.
Mas eu as conheço, todas –
Até aquela em que quase morri
Sangue seco e coração na goela.

Assim como as noites de domingo
Eu também te conheço muito bem!
Você acha que não, mas eu conheço…

Sabe como?
Quando me perco em você.

Sei de todas as rotas
Recônditos
Quebradas
Que me fizeram enlouquecer.

Sei de todas as esquinas
Cruzamentos
Encruzilhadas
Que me fizeram quebrar a cara contra os muros.

E eu te quero mesmo assim…
Até você amassar
Gastar
Tripudiar
Neste coração que é só teu.

Ele é feito pneu remold on the road –
Só precisa saber o que o segura nas tuas curvas
Quando me perco.

Depois é só ligar o rádio
E continuar viajando nessa estrada
Naquele longo e belo solo de guitarra.

CRiga.