Clarice
Sempre teve cara de
Clarice.
Nem sempre foi Clarice.
Sempre foi clara,
meiguice
Vezes foi bem perto
Outras, distante.
Vezes foi medo
Na menstruação
atrasada
Vezes foi desejo de
brincar
De ensinar a ler
A escrever
E a cantar na
brincadeira de roda.
Clarice sempre foi
filha
Que nem mesmo a
porralouquice da juventude
Pôde fazer esquecer.
Clarice sempre foi
pura
Foi menina, mulher
Orgulho do pai
coruja
Amiga do pai amigo
Loira, morena, ruiva
Esperta, alegre
Líder de torcida
Chefe de
acampamento.
Aba do boné pra
trás, moleca
Boneca de cera, jóia
psicodélica.
Clarice sempre foi
diferente
Atriz de teatro
Cantora com o violão
na praia
E um luau sob o
eterno verão.
Ela sempre teve cara
de Clarice
De magia
Paz
E energia.
Clarice
Cara de lua
Brilho de estrela
E calor do sol.
Nem sempre foi Clarice
Mas sempre teve cara
de filha.
Não demora pra
chegar em casa, Clarice
Não demora pra
nascer, meu amor!
Cauê,
9 de fevereiro de
2000

Nenhum comentário:
Postar um comentário