domingo, 26 de abril de 2026

Clarice

 


Clarice
Sempre teve cara de Clarice.

Nem sempre foi Clarice.

Sempre foi clara, meiguice
Vezes foi bem perto
Outras, distante.

Vezes foi medo
Na menstruação atrasada
Vezes foi desejo de brincar
De ensinar a ler
A escrever
E a cantar na brincadeira de roda.

Clarice sempre foi filha
Que nem mesmo a porralouquice da juventude
Pôde fazer esquecer.

Clarice sempre foi pura
Foi menina, mulher
Orgulho do pai coruja
Amiga do pai amigo
Loira, morena, ruiva
Esperta, alegre
Líder de torcida
Chefe de acampamento.

Aba do boné pra trás, moleca
Boneca de cera, jóia psicodélica.

Clarice sempre foi diferente
Atriz de teatro
Cantora com o violão na praia
E um luau sob o eterno verão.

Ela sempre teve cara de Clarice
De magia
Paz
E energia.

Clarice
Cara de lua
Brilho de estrela
E calor do sol.

Nem sempre foi Clarice
Mas sempre teve cara de filha.

Não demora pra chegar em casa, Clarice
Não demora pra nascer, meu amor!

Cauê,
9 de fevereiro de 2000


 


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