Não dá para escrever os meu belos outonos
Dizer flores aos atentos ouvidos
Se o peito seco, sem a tua água
É apenas mágoa que te ama e te dilacera
Na espera de um poema
Que não seja mais por você.
Eu ando lendo coisas lindas
Conhecendo gente interessante
Que me dão, além de atenção,
Um número de telefone.
Eu ando vendo os dias me tomando posse
O tempo é o meu total e soberano dono.
Mas às vezes ele me perde no vazio da tarde
No sono que não vem
E então volto a ser apenas a areia que sobrou
Da ampulheta que você quebrou.
Eu queria ser o poeta da esquina
Que rima o desejo ao encontro
Leveza à sutileza da conquista
Amor ao fogo de um corpo
Paixão ao para-sempre
Enquanto a lenha crepitar na chama vermelha.
Mas de seco meu coração craquelou, se esfarelou
Implodiu e só tenta te odiar com originalidade.
Toda cidade viu –
Eu não corri por você
Nem chorando nem sorrindo.
Toda cidade mentiu –
Eu não morri por você
Apenas naquela noite de domingo.
CRiga.


Nenhum comentário:
Postar um comentário