Eu ainda tenho medo de bruxa má.
Pensei tê-la matado num sonho
Enquanto ela dormia na cama dos meus pais.
Eu tenho medo de sair lá fora.
Encontrá-la passeando leve
Com aquele cachorro bobo e amável.
Ou vestida de um novo black-fake-rock
Pra beijar meninos-homens desavisados da noite escura.
Olha
Ela aprisiona com a chave daquela falsa delicadeza
Aquela da rainha linda precisando de autoafirmação –
Atrás do espelho só existe a confusão
De não saber voar com a vassoura que escolheu.
Por isso eu prefiro ficar em casa
E deixo a carruagem abóbora selvagem
Triste estacionada quase quebrada
Esperando a boa vontade de um cocheiro dela qualquer.
E eu sei – é tudo fantasia.
Mas eu preciso me defender durante o dia
Durante a noite, durante todo e a qualquer momento.
Eu só preciso é sobreviver.
A lua tá é cheia de ouvir lamento
E eu não vou ficar tentando quebrar feitiços
Dos famosos fajutos para-sempres.
Porque no fim, de noite, na madrugada
Sou só eu que não consigo mais dormir.
Se a bruxa má voltou pra me assombrar
Que ria
Que viva
Que voe
Amaldiçoe como quase sempre fez.
Que curta, como um dia profetizou.
Eu sei que tenho culpa
Mas houve os dias em que você me perdoou.
Prossigo então na solitude de uma janela aberta
Enquanto a chuva me sussurra verdades nas folhas das árvores
Que estiveram aqui muito antes de você.
Eu te amo, mas não quero mais me perder
Nem na floresta, nem na festa
De um silêncio que só tenta pedir perdão
E dizer adeus
Enquanto você tapa os ouvidos
Com novos amigos, amores e afazeres.
Tem um caminho na floresta
E ele é escuro.
E ainda bem que eu sei
Que ele não leva mais até você.
CRiga.


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