Eu espero que lá de dentro do seu novo carro
Você me olhe de soslaio
Me redescubra
E me sorria.
Que pare naquela mesma esquina
E abra a porta em câmera lenta.
Como num filme, o cabelo novo esvoaçado
Num falso descuido de mulher
Que pensa que sabe muito bem o que quer.
Espero que desfile em frente ao velho bar
Me encarando esperando um sinal.
“Incomodo?
Nunca. Senta aqui comigo. Deixa eu te explicar.
Você foi rude...
Não sou eu. Mas foi preciso.
Preciso?
Preciso e necessário.
Não entendi...
Eu sei, você nunca entende mesmo...
Não entendo o quê?
Não entende que você não pode ter tudo.
Mas eu não te quero mais.
Eu sei...”
Mas quer o balcão do meu coração!
Cotovelo se fazendo distraída
Apoiado na fórmica vermelha desbotada
Num lamento do que não deu certo
Apenas pra você.
Mas chegastes atrasada, como sempre.
Agora na porta há apenas uma placa fria
Tinta fresca amiga e sincera –


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