Não que o filho fosse “revoltado, sei lá”, ou até não compreendesse que a mãe podia achar outra pessoa p’ra ser feliz, afinal, por muitas vezes xeretando atrás da porta a viu chorar de sofrimento, e uma criança sabe quando a mãe chora de sofrimento. Daquelas vezes que ela aparecia com “novos amigos” em casa, ela tinha um sorriso daqueles que há tempos não se via. Não era bom ver a mamãe sorrir? Até ficar com a Helena, a vizinha amiga da mamãe, valia a pena para ele. E para Helena também, que adorava o garoto.
Começou a pensar que o problema estava com ela. Ligou pro ex-marido pra pedir conselho. “Porra, você me acha complicada também?” Não, não achava. “O que há de errado, por que então nosso amor acabou, você casou de novo, é feliz, e eu tô na merda?” O ex não soube responder, e também nem podia, já que a esposa atual já xingava do outro lado do sofá. “Preciso desligar”.
Aquela hora seu filho dormia, no tapete da sala, depois de assistir a uma fita de desenho animado. Dormia no tapete, estirado, feito um deus grego que esquecera de crescer. “Este, sim, é um homem de verdade! Dorme no tapete, enquanto a mãe nem na cama consegue dormir”. Deitou-se ao lado dele, abraçou-o com carinho, e recostou a cabeça no canto da almofada em que o garoto dormia. “Você não ia me levar p’ra casa da Helena, mamãe?” “Hoje não, meu amor, não vale a pena sair... Vamos dormir, e amanhã a gente vai ao cinema”.
Dormiram juntos, no tapete, naquela noite de verão. Muitas daquelas noites foi à caça de um homem, buscando aprender mais. Naquela noite resolveu dormir no tapete, com o pequeno grande homem, o único, que a compreendia.
Dormiu como há tempos não dormia.
CRiga.


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