terça-feira, 18 de março de 2025

Melancolia

 


Letras soltas me desafiam
A pintar a nuance que destoa
Embeleza e acaricia a alma.

Mas há um enorme vazio
Vazio enorme.
O homem que dorme não sabe
Por que então acordar.

As entranhas gritam fogo
O corpo implode, explode
As doenças são modernas.

Frases prontas me denunciam
No tribunal das autoajudas
Já matei o carpinteiro e o cientista,
Não tenho a que recorrer.

Letras tontas se negam
A lavar em lágrimas compulsivas
O chão frio da solidão.

Correr à poesia pouco adianta
Nada sai do nada que corrói.

CRiga.




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