sexta-feira, 21 de março de 2025

Dizer das adolescências que nos salvam numa tarde

 


O teu jeito meio apressado de tirar a roupa
E se deitar ao meu lado numa cama de solteiro
Enquanto eu fingia dormir num sábado à tarde
À espera do teu pequeno corpo junto ao meu.

O teu jeito de me esperar acordada no quarto da praia
E tirar contigo nossa roupa num fogo de assassinar o sono
Enquanto o verão rangia numa velha cama de casal
A urgência do amor sem hora pra amar.

Uma árvore perfeita na mata da chácara.
O chão do banheiro da madrinha do interior.
O sofá, macacãozinho frouxo debaixo do cobertor.
À janela do sobrado fingíamos olhar as casinhas sem reboco.

Uma letra do novo disco da Legião lida ao telefone.
Gravar nossas vozes em conversas à toa no escuro.
Amar tudo tudo o que dizia respeito a nós.
Acreditar que nunca nunca um dia na vida
A gente iria se separar.

CRiga.



 


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