Alguém
descobriu numa gravação de feliz aniversário como foram os últimos momentos de
vida interessante do poeta. Por trás do tudo de bom, a trilha no vinil era o
frio em Liverpool, mas ele estava em julho no sudeste de um Brasil – este, de
um lado um ex-presidente condenado a ser livre, de outro um ex-vice tendo a
bula de sua vida lida por colegas com óculos de lobo. Há problemas muito piores
que você. Não tenho telefone de gancho pra poder me declarar mudo, e não me
deixe esperando aqui com os dedos batendo na madeira o ritmo da bateria latina. Assim especulando como posso fazer o que não posso sem o medo vir me buscar.
Não é tão sério assim, nada a ver com pulsos cortados nem barbitúricos
misturados ao whisky com guaraná. Tem a
ver com um doce clichê. Um quê de ter a ver. Um quase poder ser livre...
Porque
não pode. Então vamos falar sobre o amor. Melhor uma música que remeta à paz
que boia pena na praça ao léu esperando pousar na boina do italiano. Saiba que
os erros nasceram do pretérito, portanto por agora não se culpe mais. É que não
pode, o aviso hoje foi bem claro. Mas acabou, martelar no prego já pregado? A cruz
agora é escrever pra ti um poema, mais uma centena de coisas que a gente ainda
pode. É como aquela pena que boia na praça – algum poeta pode se agarrar.
Diz
de coisas muito difíceis de entender. Eu te dei letra e você não leu! Quando da
arte brota uma semente de reação, é flecha com flecha, fogo no pavio da bomba. É
o trigal na brisa e sua sinfonia. É aquele brilho do olhar, sabe, aquele que
você até já tinha esquecido como é. Eu te dei as páginas guardadas da revista
escondida no baú. Te dei o laço daquela carta que colei no portão dela, e ela
me vendo entre os frisos da veneziana. Te dei a mesma velha promessa quebrada, quando
ela não voltou a passar na minha rua. Diz de coisas muito estranhas de gostar. Eu
te dei quente e frio, nunca morno! Quando da arte cai a centenária árvore por
causa do vento de setembro, é porque uma semente um dia brotou com tempo de
florescer. Com alma de apreender...