quarta-feira, 12 de julho de 2017

Atalhos do teu campo

Você me obrigou à jogada ensaiada
flash no Fantástico igual artilheiro
pro dia de clássico no Maracanã.

Só não me falou quando o zagueiro
tira a bola em cima da linha
e me não deixa sair gritando gol.


CRiga.


12 de julho (será que algo vai acontecer?)


Hoje juízes presidentes ex-presidentes
são daqueles bons amigos meus
acobertando pecados que não fazem mal...

Olha só, hoje eu posso fumar na janela
na hora do Jornal Nacional
sem ninguém pra reclamar!

O que se diga, então,
sem ninguém pra protestar...


CRiga.


Preza reza


Quando eu tenho medo eu penso num amigo.

Mesmo o medo mais oceano dividido em dois
vendo todo o pecado do mundo atravessar.

Fecho os olhos viro as costas volto logo e caio em pé.

Qual é mesmo o maremoto
que no brinde desiste de nos afogar?


CRiga.


Eu aumento o som na minha vitrola


Alguém descobriu numa gravação de feliz aniversário como foram os últimos momentos de vida interessante do poeta. Por trás do tudo de bom, a trilha no vinil era o frio em Liverpool, mas ele estava em julho no sudeste de um Brasil – este, de um lado um ex-presidente condenado a ser livre, de outro um ex-vice tendo a bula de sua vida lida por colegas com óculos de lobo. Há problemas muito piores que você. Não tenho telefone de gancho pra poder me declarar mudo, e não me deixe esperando aqui com os dedos batendo na madeira o ritmo da bateria latina. Assim especulando como posso fazer o que não posso sem o medo vir me buscar. Não é tão sério assim, nada a ver com pulsos cortados nem barbitúricos misturados ao whisky com guaraná. Tem a ver com um doce clichê. Um quê de ter a ver. Um quase poder ser livre...


CRiga.


Deixe estar


Esse frio é tão clássico
como Let it Be.

É a procura pelo dia
em que necessário será
não provar nada a ninguém.


CRiga.

Polícia atrás de mim


Porque não pode. Então vamos falar sobre o amor. Melhor uma música que remeta à paz que boia pena na praça ao léu esperando pousar na boina do italiano. Saiba que os erros nasceram do pretérito, portanto por agora não se culpe mais. É que não pode, o aviso hoje foi bem claro. Mas acabou, martelar no prego já pregado? A cruz agora é escrever pra ti um poema, mais uma centena de coisas que a gente ainda pode. É como aquela pena que boia na praça – algum poeta pode se agarrar.


CRiga.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Tem tempo...


Diz de coisas muito difíceis de entender. Eu te dei letra e você não leu! Quando da arte brota uma semente de reação, é flecha com flecha, fogo no pavio da bomba. É o trigal na brisa e sua sinfonia. É aquele brilho do olhar, sabe, aquele que você até já tinha esquecido como é. Eu te dei as páginas guardadas da revista escondida no baú. Te dei o laço daquela carta que colei no portão dela, e ela me vendo entre os frisos da veneziana. Te dei a mesma velha promessa quebrada, quando ela não voltou a passar na minha rua. Diz de coisas muito estranhas de gostar. Eu te dei quente e frio, nunca morno! Quando da arte cai a centenária árvore por causa do vento de setembro, é porque uma semente um dia brotou com tempo de florescer. Com alma de apreender...


CRiga.