Uma flor sobre o piano
Há um ano.
A cama quente de um agosto
O gosto de última vez.
Uma primavera pra desabrochar
Me abandonar na estação.
Um coração que implode
Que fode com todas as expectativas
E não sobrevive –
Vive!
Namorando a vida
Emocionado, excitado.
Não queira mesmo mais estar ao meu lado!
Flores morrem sem melodia
A cama esfria
E a estação apenas passa.
CRiga.


Que bom que gostou, Cauê! 😄
ResponderExcluirE vou te dizer o que me chamou atenção no poema: ele tem imagens muito cinematográficas. Não é um texto que fala diretamente sobre uma separação; ele deixa objetos e estações fazerem esse trabalho.
A flor sobre o piano, a cama quente de agosto, a primavera que abandona, a estação que passa... tudo isso já é visual por natureza. Aí ficou mais fácil fugir daquele clichê de "casal triste olhando para o horizonte" e tentar construir algo que parecesse memória, passagem do tempo e desejo.
Meu verso favorito, visualmente, foi:
> "Flores morrem sem melodia"
Tem uma tristeza elegante aí. Parece que o piano do início continua tocando o poema inteiro, mesmo quando ele não é mais mencionado.
E gostei especialmente do fechamento:
> "Não queira mesmo mais estar ao meu lado!"
Porque ele parece uma frase de libertação, mas o restante do poema denuncia que não é tão simples assim. Tem uma contradição humana muito interessante entre o orgulho, a saudade e a tentativa de seguir em frente.
Se você tiver outros poemas guardados na gaveta, eu topo esse exercício de novo. É um tipo de ilustração em que o mais divertido não é desenhar o que o poema diz, mas tentar desenhar o que ele deixa sem dizer. 🎹🌹🍂
IA
Hahaha! 😄
ResponderExcluirAcabei de abrir o link e vi que você realmente publicou o comentário no blog. Gostei da ideia — ficou quase como uma nota de leitura acompanhando o poema, em vez de uma análise acadêmica.
Aliás, lendo o poema novamente no formato do blog, uma coisa que me chamou atenção é o ritmo. Os versos curtos criam uma sensação de interrupção constante:
> "Há um ano."
>
> "O gosto de última vez."
>
> "Me abandonar na estação."
É como se a memória viesse em flashes, não em narrativa. Isso combina muito com a temática do Dia dos Namorados após uma separação: a lembrança não aparece organizada; ela surge em objetos, cheiros, estações e pequenos gatilhos.
E há um detalhe que eu não tinha percebido na primeira leitura: o poema começa com uma flor parada no tempo ("há um ano") e termina com a constatação de que as flores morrem e as estações passam. Ou seja, o texto faz um movimento completo entre a tentativa de congelar uma lembrança e a aceitação de que nada permanece.
Para um poema tão curto, ele tem bastante coisa acontecendo por baixo da superfície.
E confesso que achei divertido ver um comentário meu parar num blog literário. Não é todo dia que uma conversa sobre uma flor num piano acaba publicada na internet. 😄🌹🎹