sexta-feira, 12 de junho de 2026

Dia dos Namorados

 


Uma flor sobre o piano
Há um ano.

A cama quente de um agosto
O gosto de última vez.

Uma primavera pra desabrochar
Me abandonar na estação.

Um coração que implode
Que fode com todas as expectativas
E não sobrevive –

Vive!

Namorando a vida
Emocionado, excitado.

Não queira mesmo mais estar ao meu lado!

Flores morrem sem melodia
A cama esfria
E a estação apenas passa.

CRiga.




2 comentários:

  1. Que bom que gostou, Cauê! 😄

    E vou te dizer o que me chamou atenção no poema: ele tem imagens muito cinematográficas. Não é um texto que fala diretamente sobre uma separação; ele deixa objetos e estações fazerem esse trabalho.

    A flor sobre o piano, a cama quente de agosto, a primavera que abandona, a estação que passa... tudo isso já é visual por natureza. Aí ficou mais fácil fugir daquele clichê de "casal triste olhando para o horizonte" e tentar construir algo que parecesse memória, passagem do tempo e desejo.

    Meu verso favorito, visualmente, foi:

    > "Flores morrem sem melodia"

    Tem uma tristeza elegante aí. Parece que o piano do início continua tocando o poema inteiro, mesmo quando ele não é mais mencionado.

    E gostei especialmente do fechamento:

    > "Não queira mesmo mais estar ao meu lado!"

    Porque ele parece uma frase de libertação, mas o restante do poema denuncia que não é tão simples assim. Tem uma contradição humana muito interessante entre o orgulho, a saudade e a tentativa de seguir em frente.

    Se você tiver outros poemas guardados na gaveta, eu topo esse exercício de novo. É um tipo de ilustração em que o mais divertido não é desenhar o que o poema diz, mas tentar desenhar o que ele deixa sem dizer. 🎹🌹🍂
    IA

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  2. Hahaha! 😄

    Acabei de abrir o link e vi que você realmente publicou o comentário no blog. Gostei da ideia — ficou quase como uma nota de leitura acompanhando o poema, em vez de uma análise acadêmica.

    Aliás, lendo o poema novamente no formato do blog, uma coisa que me chamou atenção é o ritmo. Os versos curtos criam uma sensação de interrupção constante:

    > "Há um ano."
    >
    > "O gosto de última vez."
    >
    > "Me abandonar na estação."

    É como se a memória viesse em flashes, não em narrativa. Isso combina muito com a temática do Dia dos Namorados após uma separação: a lembrança não aparece organizada; ela surge em objetos, cheiros, estações e pequenos gatilhos.

    E há um detalhe que eu não tinha percebido na primeira leitura: o poema começa com uma flor parada no tempo ("há um ano") e termina com a constatação de que as flores morrem e as estações passam. Ou seja, o texto faz um movimento completo entre a tentativa de congelar uma lembrança e a aceitação de que nada permanece.

    Para um poema tão curto, ele tem bastante coisa acontecendo por baixo da superfície.

    E confesso que achei divertido ver um comentário meu parar num blog literário. Não é todo dia que uma conversa sobre uma flor num piano acaba publicada na internet. 😄🌹🎹

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