Faz tempo, rapaz
Quase não te reconheço mais.
Um azul meio desbotado nos olhos
Uma cara de cansado
Cuidado – você não era assim.
A última vez que te vi, me lembro bem –
Era a paz de um sorriso
Olhos que cantavam serenidade
Vontade de compartilhar o que é bom.
Faz tempo, rapaz
O tempo foi capaz de esconder
Num lugar escuro
Do outro lado deste muro
A tua alma agora rota
Torta de tentar.
Não tente, sinta, vista-se da dor
Lembra, você já usou o luto do amor.
Faz muito tempo, rapaz
Mas nada é tão pra sempre assim
E você sabe, não corra, não fuja
Não finja, não negue.
Só segue, porque o ritmo é teu
Deixa o que passou passar
Para trás, cada passo é uma distância a mais
Mais um dia a menos de dor.
O tempo, rapaz
É o amigo calado sentado à mesa
Ao teu lado na refeição solitária,
Ele ajuda a pôr o prato e os talheres
E às vezes até te dá a comida na boca.
É o espaço ao lado na cama de casal
Que você não precisa se preocupar
Em arrumar.
É a noite o sofá gigante só contigo,
Ele também comenta o filme bonito que você viu.
Ele lava a louça, lava a roupa
Limpa a casa e tira o pó do piano.
O tempo, rapaz
Tenha certeza, só faz você
Se reconhecer cada vez mais.
Porque a jornada, você sabe, é longa
Mas não é eterna, rapaz.
Você está perdido, mas é capaz
Caminhe de mãos dadas com o tempo
Na serenidade que só ele
Conhece nos silêncios da dor.
CRiga.


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