quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

A boca

 


Quando cala, instaura a dúvida.
Se fala, é preciso cuidado –
Inclusive para ouvir.

Pode declamar poemas
Ou xingar o motorista.

Dizer que ama
Que tome cuidado na estrada.

Quando beija
Ro rosto é carinho.
Nela é paixão!
Às vezes só selinho
De carinho com paixão.

Engole sapos e outras bocas
Mamilos e mangas da estação.

Faz biquinho na selfie
E não sabe se portar sozinha no metrô...

Quando se abre gargalhando é piada boa,
Ou, no desenho animado, é o vilão –
Hoje criança tem medo da bruxa má?

Quando sorri é tanta coisa...
Gentileza.
Leveza.
Amor.
Sedução.
Felicidade.
Lembrança boa.
Um “olá”.
Um “tchau”.
Mal difícil ser.
Geralmente é muito bom.

É maldita, é da noite.
Cochicha preces na igreja.
Grita um nome ao portão.
Serve pra mandar a Roma
Ou pra puta que pariu.

Sozinha sente a lágrima correr salgada
E engole o choro disfarçando a dor.

Às vezes nunca falou
E as mãos fazem a vez
E a voz.

Às vezes fala demais
Inclusive com as mãos –
Que digam nossos italianos!

Bate com ela é baixaria.
Dela pra fora pode até não ser sério,
Mas às vezes magoa.

Pode dizer sobre tanta coisa boa...
Por que então maldizer
Querer estragar os dias?

Dos buracos da cabeça
É o único sem par.
Mas quando pareia
Incendeia!

Numa ceia dizem que traiu.
Em outros tempos tristes
Entregou inimigos à fogueira.
Hoje engana fiéis
Com fome de Verdade.

E canta!
Inclusive, paquera...
Morde e assopra.

Dilacera
Por ódio
E por amor.

CRiga.




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