domingo, 28 de dezembro de 2025

Just yourself

 


É que quando a gente se encontra
É tão óbvio
Que falta poesia.

Isso justifica minha ausência,
Me desculpe.

Não que não seja inspirador,
Mas é porque quando finalmente a gente se encontra
Você arruma as coisas
E planeja uma viagem de fim de ano.

A gente sempre se encontra em casa
E tá ficando mesmo
Assim desse jeito
Meio apaixonante.

Mas é que amanhã vou me encontrar de novo
De malas, numa rodoviária de São Paulo.

E depois, eu sei, vou me encontrar com o outro
Que me surpreenderá!

Ele estará instalando o som na velha sala da sua alma
Num pedaço de universo
Que tem o verde e a esperança.

Ele estará apenas ressemeando
As velhas asas de suas costas
Num canto ali da terra ainda fofa
Numa casa da cidade de Piraju.

CRiga.




 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Velho batuta

 


Não faz tanto barulho assim
Pôw, a criança acabou de nascer!...

Ah, esse barulho aí
Tipo felicidade de ficar reencontrando
Gente da nossa espécie.

Nossa gente não tem jeito
Celebra no chorinho
E chora na celebração.

CRiga.



Alanis

 


Não me bem-trate como mimo
Como o novo verde minimalista
Na Sua Nova Sala de Estar.

Presta atenção que eu também preciso de carinho e conversa
Assim como água benta corrente
Que me sangre embaixo
E me reative em você.

CRiga.



domingo, 21 de dezembro de 2025

Overdose de mim

 

Ando tão procurando aquela minha velha poesia
Que nem percebi que você me olhava
Compartilhava o que não podia.

Que você me via, me ouvia
Me cantava, me amava!

Foi daí que consegui sorrir
Sem precisar mais chorar.

CRiga.




quinta-feira, 18 de dezembro de 2025


 

Juliana

 


Com uma música de Lulu na cabeça
Atravessei dias sem fim
Até a sexta-feira ainda feita de incertezas.

O que me move, cantarolando pelas ruas,
É a tua voz à capela naquela mesa de bar, que linda voz
Que linda menina!

“Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar subentendido
Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer.” *

* “Apenas mais uma de amor” - Lulu Santos

CRiga.




A boca

 


Quando cala, instaura a dúvida.
Se fala, é preciso cuidado –
Inclusive para ouvir.

Pode declamar poemas
Ou xingar o motorista.

Dizer que ama
Que tome cuidado na estrada.

Quando beija
Ro rosto é carinho.
Nela é paixão!
Às vezes só selinho
De carinho com paixão.

Engole sapos e outras bocas
Mamilos e mangas da estação.

Faz biquinho na selfie
E não sabe se portar sozinha no metrô...

Quando se abre gargalhando é piada boa,
Ou, no desenho animado, é o vilão –
Hoje criança tem medo da bruxa má?

Quando sorri é tanta coisa...
Gentileza.
Leveza.
Amor.
Sedução.
Felicidade.
Lembrança boa.
Um “olá”.
Um “tchau”.
Mal difícil ser.
Geralmente é muito bom.

É maldita, é da noite.
Cochicha preces na igreja.
Grita um nome ao portão.
Serve pra mandar a Roma
Ou pra puta que pariu.

Sozinha sente a lágrima correr salgada
E engole o choro disfarçando a dor.

Às vezes nunca falou
E as mãos fazem a vez
E a voz.

Às vezes fala demais
Inclusive com as mãos –
Que digam nossos italianos!

Bate com ela é baixaria.
Dela pra fora pode até não ser sério,
Mas às vezes magoa.

Pode dizer sobre tanta coisa boa...
Por que então maldizer
Querer estragar os dias?

Dos buracos da cabeça
É o único sem par.
Mas quando pareia
Incendeia!

Numa ceia dizem que traiu.
Em outros tempos tristes
Entregou inimigos à fogueira.
Hoje engana fiéis
Com fome de Verdade.

E canta!
Inclusive, paquera...
Morde e assopra.

Dilacera
Por ódio
E por amor.

CRiga.




Eu te amo, me perdoa


Palavras são sérias, não desperdice
Palavras são fáceis ao vento
Cabem no bolso, se perdem no tempo.

Palavras são abra cadabras
Abrem portas ou destroem lares
Nos bares não têm relevância
Às vezes enganam como o mágico canastrão.

Saravá, se lá vi, sai pra lá
Vem pra cá pra ser feliz
Palavras correm na boca da praia
E morrem quando acaba o verão.

Tem gente que dá palavra
Tem gente que resolve no palavrão.

Tem palavra reta que conforta
Tem palavra torta que é verdade.

Palavras são pichadas na estátua da Justiça
Não foi bem isso que eu quis dizer.

Incontestáveis no contrato, no dicionário
Na Bíblia e no Kama Sutra.

Tatuadas são apenas palavras na pele
Declamadas marcam sem tinta.

Separadas são bem resolvidas
Às vezes se perdem na multidão.

Palavras custam caro
Mas não pagam as dívidas do banco
Nem as mágoas de um coração.

CRiga.



 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Enganar-se

 


Solidão é quando um pedacinho da borda da torta
Cai do prato no chão branco da cozinha.

Não adianta chutar pra baixo do móvel da pia –
Você sabe bem
Quem é que vai ter que limpar depois.

CRiga.

 


Me coloriu!

 


Prazer!

Já tem um sabor que escorre aos lábios
Ao desejo da boca contra a boca
E o teu cílio tocando o meu.

A pele negra parece a linda noite de estrela cadente
Eu me perco entre o brilho dos teus óculos de grau
E no cabelo pra hibernar novas sensações.

A idade da jornada dos ídolos do rock
Muito vem vividos, dançados, compartilhados.

Eu dancei com você no terreiro do teu orixá
Eu já te vivo nas histórias e nas possibilidades.

Eu te beijei na despedida, esqueci teu nome
Procurei teu rosto em todas as lojas daquela esquina
E morri onde te conheci naquela sexta-feira.

E hoje é só terça
E vem chuva por aí.

CRiga.




sábado, 13 de dezembro de 2025

Solidão

 


O tempo é o amigo calado sentado à mesa
Ao teu lado na refeição solitária –  

Ele ajuda a pôr o prato e os talheres
E às vezes até te dá a comida na tua boca.

CRiga.

 


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Jornada

 


Faz tempo, rapaz
Quase não te reconheço mais.

Um azul meio desbotado nos olhos
Uma cara de cansado
Cuidado – você não era assim.

A última vez que te vi, me lembro bem –
Era a paz de um sorriso
Olhos que cantavam serenidade
Vontade de compartilhar o que é bom.

Faz tempo, rapaz
O tempo foi capaz de esconder
Num lugar escuro
Do outro lado deste muro
A tua alma agora rota
Torta de tentar.

Não tente, sinta, vista-se da dor
Lembra, você já usou o luto do amor.

Faz muito tempo, rapaz
Mas nada é tão pra sempre assim
E você sabe, não corra, não fuja
Não finja, não negue.

Só segue, porque o ritmo é teu
Deixa o que passou passar
Para trás, cada passo é uma distância a mais
Mais um dia a menos de dor.

O tempo, rapaz
É o amigo calado sentado à mesa
Ao teu lado na refeição solitária,
Ele ajuda a pôr o prato e os talheres
E às vezes até te dá a comida na boca.

É o espaço ao lado na cama de casal
Que você não precisa se preocupar
Em arrumar.

É a noite o sofá gigante só contigo,
Ele também comenta o filme bonito que você viu.

Ele lava a louça, lava a roupa
Limpa a casa e tira o pó do piano.

O tempo, rapaz
Tenha certeza, só faz você
Se reconhecer cada vez mais.

Porque a jornada, você sabe, é longa
Mas não é eterna, rapaz.

Você está perdido, mas é capaz
Caminhe de mãos dadas com o tempo
Na serenidade que só ele
Conhece nos silêncios da dor.

CRiga.




Rumo

 


Água mole em pedra dura
Não precisa furar nada 

Serena
Ela apenas descobre um novo curso.

CRiga.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Operatório

 


Um adeus cravado no peito
Dói, sangra
Sagrado um dia cicatriza.

Me avisa quando a poesia
Ter sarado da cirurgia.

CRiga.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Poesia serena

 


Obrigado por devolver-nos aos nossos lugares.
Há um amor que nunca morre
Mas as escolhas de vida
São a vida, e tudo bem.

Eu agora retomo o meu caminho qualquer que seja
Retorno a mim, com certeza
Ao meu olhar tranquilo e voz serena.

Há um brilho azul e um beijo terno
Uma poesia bonita bem-guardada
Pra linda escolha
Que eu ainda vou descobrir.

CRiga.


 


domingo, 7 de dezembro de 2025

Longas cartas pra ninguém


Enfim. 

Eu estou aqui novamente procurando aviões no céu. Um sentido que seja. Procurando o Cauê que sempre me deu paz.

Me lembro que eram cartas e fitas cassete. Até incenso pelo Correio. Foram histórias, bruscas, inclusive. Você tem toda a razão do mundo em ser quem você quer ser. Porque é você.

Mas eu fiquei. Parado. Olhando você não exatamente ir embora – era você indo, apenas. 

Mas, nessa novela, eu não quero ser teu amigo.

Nem preciso dizer que te amo, você já sabe. O quanto amo, o tanto que amo!

Mas até o amor precisa de ar, eu sei. Nem que seja aquele ar que a gente se afoga pulando do precipício. Tá valendo!

É que dura um tempo no pulo, um tempo grande até chegar lá embaixo. A gente nem tem a intenção de se esborrachar – mas é necessário, sim,  a gente chegar perto da rocha e quase bater a cara na pedra. O truque é saber, de vez em quando, apenas flutuar...

Porque bater de cara na rocha do litoral, convenhamos, a gente sabe como é. E na verdade nem tem jeito de nunca mais bater – a diferença, como diz o ditado, é aquela coisa do “água mole em pedra dura”.

Água mole e muito boa quando bate na pedra dura que sempre esteve ali, não fura nada.

Só encontra outro curso.

CRiga. 


 

“Aprendi a veranizar” (*)


Chovia
E eu me via
Chorar nos telhados da cidade feia.

Mas chorei pouco
Choveu pouco
O suficiente por hoje e por um verão.

Chorava
E eu chovia
A chuva de um batismo.

A chuva de um otimismo
Que só cada estação pode ensinar.

(*) “Veranizar”, Leo Fressato

 CRiga.





The Religion Song

 


Eu me cavouco.
Tem uma mãozinha que luta contra a terra fofa
Me pedindo socorro.

E eu me cavouco.
Boto um Pink Floyd na vitrola
E quase sou a quarta voz.

Mas logo me recomponho –
A ideia é ser a primeira
Harmônica e serena
Plena.

Porque de resto o que me resta
É a festa do meu silêncio
Te dizendo adeus.

CRiga.




Lágrima

 


Agora só há uma coisa de que preciso muito, e você não vai acreditar:

Chorar.

Por que chorar é agora tão difícil?
Essa dor que há
E não dispara louca pelo campo aberto
Feito belos cavalos selvagens?

Eu espremo a alma, os olhos.
Torço o coração feito roupa recém-lavada
E nada
Nem uma lágrima vem. 

Porque eu já disse lá trás -
“É preciso lavar a alma
Nem que seja à base
De um balde de lágrimas selvagens”.

Não conseguir chorar pra mim não é um bom sinal.
Ou é que espero a represa se romper
Ou que não mereço mais chorar.

Eu prefiro acreditar na segunda,
Mas não sei:

Vamos andando em frente do jeito que dá.
Talvez a próxima lágrima
Seja apenas a de alegria
De encontrar aquele velho e bom Cauê da paz.

CRiga.




sábado, 6 de dezembro de 2025

Já era

 


Porque quando a gente escolhe esquecer
Nem vale mais essa coisa de desculpas tardias.

A gente agradece, tudo bem.
Mas por favor deixa a vida fluir
Sem ensaios de querer sermos amigos
Parceiros
A gente não é mais
Nem nunca mais será.

Vai embora
E deixa eu ficar aqui de boa
Quietinho
Pra redescobrir onde posso ir
Onde posso de novo ser
Finalmente sem você.

CRiga.




quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Os mesmos erros

 


Projetou no menino a razão soberba
E cruel, como sempre gostou de ter.

O problema é a hora que a conta chega
E as pessoas já estão cicatrizando as feridas.

Mesmo assim não baixa a crista.

Ou, quando ensaia baixar
Já é tarde
Tão tarde
Assim demais...

CRiga.


O teu mal inconsciente

 


Um traço na minha agenda que não posso
Ou não consigo apagar.

Apenas lá para constar.
Para me jogar na cara
Que a vida nem a dor são assim tão simples
Quanto uma mensagem de WhatsApp.

Um traço não aborta da memória o nome
Mas coloca, sim, as coisas no lugar.

CRiga.