domingo, 5 de outubro de 2025

Black Pub

 


Tem coisa mais triste e brega
Que um marmanjo roqueiro
Comendo batata frita sozinho à mesa de um bar?

Fica até desajustado fazer coro com o violão e voz do cantor da noite.
Um úmido par de olhos azuis chamando atenção
Gritando desafinado Have You Ever Seen The Rain.

Mas há noites que acabam
E outras que renascem.

Quando deu o horário da lei seca
E a água cândida começou a molhar o velho all star
Um obrigado, volta sexta que vem, fazem toda a diferença.

É como um abraço de vai ficar tudo bem, relaxa e curte a fossa
Porque a vida é mais que uma noite sozinho exorcizando tristezas
Num pub do centro da cidade.

CRiga.




Pra expulsar o diabo da oficina

 

Comprar um guarda-chuva
Em época de estiagem.

Mudar as coisas de lugar
Pra ter que lembrar mais tarde onde guardou.

Deixar os discos fora da case
Pra depois reorganizar na ordem alfabética.

Decorar aquela canção de Caetano
Conhecer um pouco mais do mestre Gil.

Cozinhar e cozinhar e cozinhar.
Congelar pra mais de uma semana de refeições a só.

Deixar o carro em casa
Passar mais tempo na cidade.

Contar a idade das coisas esquecidas no guarda-roupa
Ocupar espaços com novas camisas de domingo.

Bora pra Paulista!
Caminhar na fé de ocupar o tempo
Que a gente tem ainda pra viver
E caminhar.


quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Boca da noite

 


Aproveite enquanto retorna do inferno do silêncio
E vai adocicando de novo aquelas tuas palavras.

Dê algumas de presente como uma dor bonita
Com sabor de vinho tinto.

Lave as que se mancharam do teu sangue
E seque-as ao varal dourado da noite preta -
Estrelas hão de brilhar no bate-papo do novo bar.

Dá um lustro, assopra a poeira.
É tempo de palavras novas ou reinventadas no improviso
No momento mais que preciso
Pra novamente ser feliz.

CRiga.





Teu nome

 


Eu não lembrava, não sabia
Talvez nunca soube um dia
E tudo bem.

Teu novo velho namorado também não lembrava
O jeito certo do tom de chamar o nome.
Aquele pega-certo na cintura
E n’alma aberta pra chamar na chincha.

Eu esqueci, eu não sei, talvez nunca soube.
Mas se me der a senha do teu beijo doce
Eu não esqueço
Eu pronuncio.

Me renuncio até que cessem os nomes todos
Todos os chamados pra amar alguém.
Até lá, de novo e sempre, até as sílabas sibilarem
O fim de um nome que e gente conhece tão bem.

CRiga.





 

Um balcão alugado

 

O fatal de cara é querer encontrar no outro
O erro de tentar fazer
Só pro outro de lá saber.

É fatal querer você de um jeito novo
Mas não você que me vigia torto!

E sim o girassol selvagem
Cuja bagagem é o drink tão bem-feito
E uns olhos que desviam
Pra não tropeçar na multidão.

CRiga.



Fatal

 

De ti não quero velhos conhecidos
Que retornam ao bar que não deu certo.

Ou da impressão que um dia deu certo.

Eu voltei aqui porque sabia dos teus cabelos loiros
E essa gana, essa cara de olhos perdidos
Decididos a vencer. 

Um colega de mesma história, mesmo naipe
Mas dominador de cervejas e papos familiares
Estabeleceu o por enquanto da estação, tudo bem.

Pra mim você nunca será a linda perdida
E sim os lábios que sabem bem o que querem dizer.

CRiga.



(às 0h01 do dia 2/10)