quarta-feira, 30 de abril de 2025
Púbere ventura
Enquanto ganham a vida singela
Com simples ar de cachoeira
Na grama em que se rola
Se enrola, fuma-se!
Aqui a gente se enrola mais
E os planos que a gente faz
São pra no máximo no máximo
Um depois de amanhã talvez.
Enquanto a gente se reconhece
A gente se vê, envelhece!
Vai até onde se avista
O pagamento à vista ainda nos segurar.
Parcelas são migalhas de um sonho.
Eu preferia não ter idade
Pra sonhar tão alto com um abrigo
Uma cachoeira de sensações
Onde o tempo não pudesse me abalar.
Eu preferia dizer que o melhor vinho
É aquele do mais velho.
Mas é só para o velho
Só para o velho...
CRiga.
sábado, 26 de abril de 2025
A descrição de um amor da adolescência
A pele branca, os olhos verdes
Cabelos chanel, castanhos claros lisos
Um rosto fino tão lindo e delicado
Disfarçando o gênio de escorpião.
Era do rock, MPB e um cigarro
Sapato de camurça caramelo cano médio
E uma inseparável jaqueta jeans.
Essas noites a beijei num sonho.
Num conto almocei com ela e com a mãe
O almoço de um pai falecido.
Levou embora minha fita cassete
Uma coletânea dupla do Jesus and Mary Chain.
Eu conversava pertinho entre as suas pernas
Enquanto sentada no corrimão do cursinho.
Na porta de um bar do Largo da Batata
Minha namorada quase surtou de ciúme.
Num show do Cult
Cruzando comigo sem me reconhecer
Eu toquei de leve os seus cabelos.
Ela virou e quis xingar!
Mas só sorriu
Aquele sorriso mais lindo deste mundo.
“Amiga, palavra triste quando se perde um grande amor..."
CRiga.
Corações partidos
Despejaram-me
Água morta no ralo da indiferença.
Bloquearam-me
Com passaporte à sorte da fronteira.
Derrubaram-me
Sem capacete da moto em alta velocidade.
Deixaram-me
Sonolento na cama da vingança de carnaval.
Quando havia mãos dadas
Eu era castelo do Forte.
Quando se viraram em adeus
Virei castelo de areia.
Escorri entre teus dedos
Minhas artérias congelaram.
Você não viu
Mas eu morri nadando até você.
CRiga.









