terça-feira, 27 de agosto de 2024

Massa de manobra

 


Um punhado de gente sem cultura.
Uma xícara de assunto polêmico.

666 colheres de malícia.
Uma pitada de maledicência.

Junte tudo e bata em alguém.
Deixe o fermento da fome fazer crescer
E leve ao fogo da intolerância.

Deixe assar reputações,
Depois grelhe no fogo das vaidades
E cubra com uma boa verba de jornal.

CRiga.



 


sábado, 24 de agosto de 2024


 

O quarto Signo


A gente na maioria das vezes não sabe
Do bicho que espreita na esquina.

Mas a gente quebra a esquina porque é o caminho.
Às vezes o ladrão nos rouba de assalto
Outras a gente nem percebe que foi roubado.

Há um significado no zodíaco que não nos cura
E quando a água finalmente tem gosto de pura
Fica tarde pra admirar o pôr do sol.

CRiga.





Mendigar amor

 

Quando eu decidi ser eu com todos os meus defeitos
E tudo o que eu sabia que precisava vencer em mim,

Passei a perder muito mais tempo mendigando
Perdão
Atenção
Razão.

A brincadeira é
“Desculpe por ter nascido”.

O sono
O sonho que me consola
Poderiam durar mais.

Faz tempo que eu sonho em te esquecer.

O tempo agora é só teu, faz favor então
Me esquece antes que o amor daquele verão
Vire um sol quadrado mal desenhado
Num bilhete sobre a mesa do café.

CRiga.




sexta-feira, 23 de agosto de 2024


 

Limo no fim do dia

 


Faca cega também não corta palavras.
Há agora apenas um papel amassado
Afixado na porta da geladeira
Com um imã daquele bem brega.
Alma que escorrega.

Hoje desperdicei o fio falando
Sobre o que não vai mudar a vida de ninguém.
Fim de dia e nem precisava nada assim
Tão profundo.

Bastava um mundo onde por um segundo
se pudesse sonhar ou rimar ricamente.

Não estou mais afiado. Pedra gasta.
Cerveja quente. Coca-Cola sem gás.
Vinil riscado fritando ovo insistindo gritar
Na vitrola mono de uma caixa só.

Um nó na garganta.
O pôr do sol não traz o sorriso de missão cumprida
Porque a louça grita silenciosa na pia.

Apenas o fim do dia.

CRiga.