terça-feira, 22 de setembro de 2020

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Pierrôs iluminam o beco

 

Eu sei que não sou Carlos.
Não fumei teu infinito
não aqueci tantos invernos.

Não ouso perguntar ao Chico.
A nota está encaixada na Banda
e ela ainda gosta de cachorro.

Impossível o fôlego de Caetano.
Odara, cortisona e coragem.
Impossível pra ele só o eco do Pi.

Eu sei que não sou Vinícius
e seus filhos melhor não tê-los.

Não sou Pablo nem Neruda.
Sou candidato a poeta carteiro
que só entrega boas notícias.

CRiga.




sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Músicas para ouvir bem alto

 

Porque o dia em que eu enlouquecer
o vizinho me verá te dedicando músicas
em meu imaginário radio-programa.

Mão direita em concha
no ouvido em busca do teu eco
no solo daquela canção.

No meu palco não tem roadie
que possa me guiar até você.

Nos rincões de um coração amargurado
a antena enferrujada
toca um rock monostereo.

Monges declamam pirilampos
e o ermitão da contracapa
ilumina a trilha de volta a você.

CRiga.



quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Casacos transparentes nas cadeiras

 


Então,
quem irá me capturar?

Os cadernos deixados sobre a mesa
ou a gentileza
de me fotografar?

Solidão é sólida
sólida como pedra
pedra dura que não quebra.

Na quebrada ele é conhecido
como o cara que fala sozinho.

Me deixa sozinho então –
meus demônios não têm medo
e os fantasmas bebem comigo
cada um em sua cadeira
cada um à sua maneira
cada um cantando sua canção.

CRiga.



quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Me procure no caderno


Não há verdades escondidas
Apenas as verdades já vividas.

Um diário de notícias
Com suítes e notas de rodapé.

Eu sou um homem de sorte
Porque a rima ensina a cuidar.

Eu sou um monte de folhas amarelas
De saudades escritas no erre gê.

Queria conseguir do teclado
A curva do dedo na assinatura.

Assinado alguém que resolveu
Um dia tudo tudo escrever!...

CRiga.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Porque essa é uma canção de amor


Severo júri estes teus olhos,
confesso e juro que me arrependo!

Brincos de argola, óculos redondos
e um jeito cobra de cobrar as dívidas
de um passado que não vai passar.

Mãos segurando o queixo
num olhar de acusação.
Linda apaixonante,
amedrontava porque não sorria
nem vingança nem sedução.

Na minha nuca pesaram erros,
nem nunca pesaram tantos assim!

Me entreguei pelo que eu já era –
tolo homem que rejuvenesceu
e se arrependeu.

Só sei viver te mandando recados
nestas bem formatadas linhas
de computador.

Mas meu amor, deixa estar –
todos nós matamos canções de amor.

Todos nós reinventamos o iê iê iê
pra tocar naquela mesma estação.

Todos nós temos coração!

Adolescente é a vontade
de cantar uma velha canção.

CRiga.


A doce guilhotina


A paixão move à arte,
o amor eterniza a obra.

A paixão escreve a história,
o amor mantém os mitos.

A paixão coroa os gritos,
o amor sibila a paz.

A paixão é o az da rodada,
o amor é o rei do jogo.

A paixão corre solta no pó da estrada,
o amor sopra tranquilo na alma da brisa.

A paixão é a tempestade,
o amor é a casa no campo.

A paixão destrói a fortaleza,
o amor instaura o jardim.

A paixão faz bater nas paredes
a cabeça que insiste pensar,

o amor
a decepa de vez.

CRiga.