Preciso é de
um empresário.
Sou o
esquisito singular
no plural que
eles precisam.
CRiga.
Eu sei que
não sou Carlos.
Não fumei teu
infinito
não aqueci
tantos invernos.
Não ouso
perguntar ao Chico.
A nota está
encaixada na Banda
e ela ainda
gosta de cachorro.
Impossível o
fôlego de Caetano.
Odara,
cortisona e coragem.
Impossível
pra ele só o eco do Pi.
Eu sei que
não sou Vinícius
e seus filhos
melhor não tê-los.
Não sou Pablo
nem Neruda.
Sou candidato
a poeta carteiro
que só entrega
boas notícias.
CRiga.
Porque o dia
em que eu enlouquecer
o vizinho me
verá te dedicando músicas
em meu imaginário
radio-programa.
Mão direita
em concha
no ouvido em
busca do teu eco
no solo daquela
canção.
No meu palco
não tem roadie
que possa me
guiar até você.
Nos rincões
de um coração amargurado
a antena
enferrujada
toca um rock
monostereo.
Monges
declamam pirilampos
e o ermitão da
contracapa
ilumina a
trilha de volta a você.
CRiga.
Então,
quem irá me
capturar?
Os cadernos
deixados sobre a mesa
ou a
gentileza
de me
fotografar?
Solidão é sólida
sólida como
pedra
pedra dura
que não quebra.
Na quebrada ele
é conhecido
como o cara
que fala sozinho.
Me deixa
sozinho então –
meus demônios
não têm medo
e os
fantasmas bebem comigo
cada um em
sua cadeira
cada um à sua maneira
cada um cantando sua canção.
CRiga.