quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

As luzes do meu Natal



Quero tocar o veludo da folha
digitais em eletricidade
provocando raios sem tempestade.

Quero fugir desta cidade!

Refletida na parede branca
do alugado apartamento,
a luz que pisca no lusco-fusco
é o Natal
que sempre chega adiantado.

CRiga.



Classificado de jornal


É preciso escrever uma poesia.
De dia, na noite quebrada
na esquina cacos de vidro
viram diamante.

Precisa-se de um poeta
dizia a placa à entrada –
o bosque verde verde
cheiro de mato molhado.

Um poema no guardanapo
caso você sinta aquela imensa
necessidade
de viver de novo.

Um classificado de jornal:
“alugo vagalumes –
pago com letras a vista
que enxergar só poesia”.

CRiga.


Drummondear

Tudo é um poema.
Um sal diferente
ou açúcar de gente.

Um canto desencanto
bonito que dói.
Ou sutileza da beleza
quão incomunicável que arde o pulso
na busca da mais perfeita tradução.

Punhal invisível atirado à multidão
contra a alma sempre aberta.

E quem não acerta desconhece
a graça que a poesia tem.

CRiga.


Uma noite de cárcere


Quando a barra da cela da cadeia
cravou-lhe feito pedra de bodoque
o fundo do peito,

a manhã foi a correria louca de volta ao lar
sem beijo de bom dia ou de desculpas à esposa.

No quintal dos fundos
como que o guarda que lhe abriu as grades
lhe devolvendo a liberdade,

correu descerrando as porteirinhas das gaiolas
agora símbolos da opressão.

“Você não sabe o que é estar preso!...”

Passarinhos coloriam a nova manhã.

Para o amigo Danilo

CRiga.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Traição


A paz não é algo tão perfeito assim.
Você a pega com carinho às mãos
feito pomba branca
mensagem da nova era.

E no dia de sol perfeito
solta na mais bela esperança
de um grande feito histórico,
um poema de livro escolar.

E ela voa, meu camarada...
E ela vai altiva, símbolo cafona.
E de repente ela olha pra baixo,
sorri de canto e apenas suja
o terno do teu domingo perfeito.

CRiga.



segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

A cicatriz que diz


Mergulhe em si e crave as unhas
no touro que corre desenfreado
galopando a noite escura da tua alma.

Encare os olhos vermelhos
e cometa o ato necessário:
faça sangrar, mas não o mate
nem queira tornar-se amigo.

Arranque das entranhas do feroz
a energia pra gritar nos versos
todas as suas verdades.
As mais maldosas também.

Serás finalmente poeta
dono das tuas letras
ferida aberta
futura bela cicatriz.

CRiga.