terça-feira, 6 de novembro de 2018

Poesia sem adjetivos


Olha nos meus olhos, me descubra
me desnuda
mas não bata o martelo –
meu advogado se chama tempo.

Sem metáforas ou adjetivos –
apenas a verdade que sou.

CRiga.



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Basta chacoalhar


Tem aquele solzinho que resiste,
A necessidade de falar contigo
E dizer que há outras estações.

As fotos me avisaram, o amor é nosso
Mas a vida inteira também é.
Às vezes a gente se atrapalha no passo
Chuta pedra, ignora a flor na calçada.

Mas também tem parque e visita de domingo
Um bom papo, boas lembranças
Nossas ainda eternas crianças!

Todos nós temos medo, é o enredo.
Tem medo que às vezes aterroriza
Pesadelo daqueles de chamar a mãe.

Pode me chamar. Pode me contar.
Nosso coração é do universo,
Basta azeitar as engrenagens –

Ele vai conspirar tão novo
Feito o relógio do vô Inocêncio
Que ainda insiste funcionar.

CRiga.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

terça-feira, 30 de outubro de 2018

O idioma do desejo


Não adianta chorar
sobre a bebida derramada
na noite dos cantores.

Bebida doce,
e a menina enrolava a língua
num púbere castelhano
e num inglês de pop sueco
moreno latino americano.

Nem teve a chance
de enrolar a língua
também por doce embriaguez!

Não adianta se desculpar
pela espanhola derramada
entre os beijos, línguas
que não queriam tradução.

Queriam apenas a luta ardente,
entre as bocas, o desejo –
único idioma então corrente.

CRiga.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Púbere ventura


Enquanto ganham a vida singela
com simples ar de cachoeira
na grama que se rola,
se enrola, fuma-se!...

...a gente se enrola mais
e os planos que a gente faz
são pra no máximo no máximo
um depois de amanhã talvez...

Enquanto a gente se reconhece,
a gente se vê – envelhece!
Vai até onde se avista
o pagamento à vista ainda nos segurar.

Parcelas são migalhas de um sonho.
Eu preferiria não ter idade
pra sonhar tão alto com um abrigo
uma cachoeira de sensações
onde o tempo não pudesse me abalar.

CRiga.



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Compromisso caseiro de vida


Fórmulas mágicas para deixar de querer adivinhar o futuro a partir dos parcos sinais de hoje. Faz tempo que não sente a apreensão do gênero operário, a ameaça dos Brasis de hoje, porém declarada apenas no silêncio dos novos vencedores. Antes, houve apenas o remoer de não se lembrar como se faz alguém feliz. A incapacidade de fazer feliz.

A incapacidade de se partir estas correntes donas do seu amanhã; de moldar o futuro dos filhos a partir de sua vontade e das certezas colhidas de uma vivência plena, independente – não de favores dos vendados olhos do poder; sermos os famosos “donos do destino” – será mesmo que existe alguém assim?

Apenas ele vê a varanda ameaçada quando este vento torto faz a madeira debater-se querendo despertá-lo da languidez. Apenas ela lembra do pito dividido da Mariquita de Drummond.

A voz dela lhe abala quando ele fala sobre seus medos. Mas a voz dela também lhe acalma, como o rio profundo que atravessa a cozinha de Adélia Prado.

“Lembre-se de nosso vinho de hoje à noite. E pare de se coçar!”

CRiga.