sábado, 23 de maio de 2026

Mudança

 


E o amor onde cabe
Quando a gente ajeita as coisas no lugar?

Só no sótão
Pó no porão.

No cadeado enferrujado do portão
A gente sabe que um dia precisa trocar.

Na mala velha que ainda prefere a viagem
Mas que volta triste ao escuro mofado
Do guarda-roupa remontado.

No caco da última porcelana do casamento
Que escapou por acidente da caixa de papelão.

No porta-retratos novo sobre a velha escrivaninha
Ainda com o recorte da modelo de revista.

No solo final de Confortably Numb
Que o disco riscado nunca deixa terminar.

O amor, quando acaba,
Cabe em qualquer lugar.

CRiga.




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