quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Quarenta

 

Agulha travada
Na sujeirinha do velho vinil –
Uma nota só no solo triste de uma guitarra
E num grito mixado de solidão.

Meio emeéle
No vidro do perfume francês –
Um cheiro só na fragrância de perder os rumos
Insistindo em guardar lembranças.

Fotografia desbotada
No bolso do surrado jeans –
Uma cor de pó gritando no assoalho comido
Um nome rangido, abafado.

Botão de rosa pendurado
No caule quebrado do abandono –
Plantas revirando em nó o sedento jardim do quintal de pedra
Invadindo a casa, um dia lar.

Morri, revivi
Procurando tolos atalhos
Nas coisas que mofaram
Nos objetos sem objetivos.

Um dia desistiram de mim
Sem me avisar, não foi por mal –

Sexta-feira que vem eu programo
Meu próximo inferno astral.

CRiga.




Nenhum comentário:

Postar um comentário