segunda-feira, 7 de julho de 2025

Militância de flores

 

Há um Brasil que insiste
Invadir minha história de amor.

Trocam-se flores multicores
Pelo amarelo e vermelho –
As flores não ficam tão tristes
Desde os tempos de Vandré.

Trocam-se poemas por discursos.
A carta anônima romântica
Depositada na caixinha do correio
Vira fraca denúncia estampada
Em qualquer página de jornal.

Troca-se perfume por gás lacrimogêneo
Vestido chita por camiseta chiita.
Troca-se convite a um passeio
Por convocação a passeata.

Eu prefiro sim a flor roubada
À morta pisada no canteiro.
Um coração partido
A tomar partido do terror.

Há um Brasil que resiste
Se reinventar histérico
Na minha história de amor.

CRiga.



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