Está ali, ao lado do sofá
que a gente já não curte mais.
Está ali, ao lado do sofá
que a gente já não curte mais.
As cadeiras e bancos estão se acabando.
Ficam tão sozinhas e sozinhos
que tão bem acompanhados.
O fogão era vermelho vermelhão.
Trincou saudades tuas um braço na panela
outro na cintura senhora cozinheira.
Dá dó quando junta pó.
Quando o nó não desata mais
e as teias viram só algodão doce.
Aquele pé de fruta esperou a água.
Na pedra da fonte o escorpião estátua
denuncia sua espera quando o sol nos salvou.
Mas a lebre tá sempre ali!
É o espírito da terra que te olha
sorri pululando boas histórias.
Vem pro mato,
que a morte espreita!
Vem logo, deita.
O pau velho que segura a cama
ainda declama um final feliz.
CRiga.
Não levarás tua eletrobanda.
Deixarás n’água furtada calado o pecado
que dominas dedilhando um rock and roll.
Não levarás o mergulho de ponta.
Deixarás de novo o musgo vigiar teus pés
enquanto dominas a arte de calcular emoções.
Não levarás a tinta pra pintar de azul.
Apenas interiorices pra salvar o orçamento
de colorir janelas com vistas ao infinito verde.
Não guardarás tudo.
As coisas ficarão em seu lugar.
O amor toma conta dos detalhes.
CRiga.