sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Uma sexta-feira de verão (Paulista)

 

(foto by Cauê Rigamonti. Se conhece, pode usar)

Aí eu não tropeço, é tudo o que te peço - 
Não me chame à janela
Não me deseje nesta noite de verão.

Ficaria aí pra sempre batendo em teu peito
Meu cheiro com teu seu cheiro
Tua lágrima, minha força.

É que daí me deixo
E o sol que você também precisa
Nunca mais voltaria pra te renovar.

Te ofereço apenas a minha brisa leve
Aquela em que a esperança canta breve
Um ventinho que refresca a noite.

Quanto a mim, não se preocupe - 
Amanhã eu chego lá em Sampa
Do meu jeito, intrometida!

Mas não vou atrapalhar a tua conversa -
Esse rapaz chamado Sol é primo querido.

São todas nossas as tardes lindas
De qualquer sábado ou domingo de sol.

CRiga.






Little things

 


Sim, elas me completam
Elas são flashes de memória
Elas contam toda a história
Amigas estrelas cadentes
Do outro lado do monte escuro,

E é lá que vou encontrando
Sempre um pouco mais de mim.

CRiga.




A Deixa

 

A nossa vida tem todos os defeitos
Os pesos que o nosso papel pode suportar.

Mas a mesma lágrima que cai borrando o texto
Também escreve na areia do tempo
No palco, no picadeiro
Do que o espírito primeiro
Precisa pra se reencontrar.

CRiga.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Na distração

 


O que vai ser de você
Quando não tiver mais nada pra fazer?

Vai tentar arrumar algo talvez desarrumado
Mas tudo estará em seu lugar,
Graças a Deus!

E nem o samba você terá como tocar
Nem cantarolar meia letra
Porque não teve tempo de decorar.

E vai lembrar
Que tinha alguém que fazia tudo por você.

E vai se lembrar daquela velha e boa Rita Lee
Dizendo que se livrou de uma vida vulgar,

Mas que agora
Só falta você!

CRiga.




quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Vem comigo e retoma o teu atalho

 


Eu não posso mais parar na estrada
Já tive tantas paradas pra me encontrar
E nada...

Eu ainda procuro meu sol nascente
Apenas caminhando para frente.

Não me tente, não me afogue
Eu estou sempre aqui pra te dar meu ombro.

Mas minha alma, essa boba alma de esperança
Ainda dança perdida naquela mesma brisa
Ainda precisa se libertar.

CRiga.



domingo, 28 de dezembro de 2025

Just yourself

 


É que quando a gente se encontra
É tão óbvio
Que falta poesia.

Isso justifica minha ausência,
Me desculpe.

Não que não seja inspirador,
Mas é porque quando finalmente a gente se encontra
Você arruma as coisas
E planeja uma viagem de fim de ano.

A gente sempre se encontra em casa
E tá ficando mesmo
Assim desse jeito
Meio apaixonante.

Mas é que amanhã vou me encontrar de novo
De malas, numa rodoviária de São Paulo.

E depois, eu sei, vou me encontrar com o outro
Que me surpreenderá!

Ele estará instalando o som na velha sala da sua alma
Num pedaço de universo
Que tem o verde e a esperança.

Ele estará apenas ressemeando
As velhas asas de suas costas
Num canto ali da terra ainda fofa
Numa casa da cidade de Piraju.

CRiga.