Não faz tanto barulho assim
Pôw, a criança acabou de nascer!...
Ah, esse barulho aí
Tipo felicidade de ficar reencontrando
Gente da nossa espécie.
Nossa gente não tem jeito
Celebra no chorinho
E chora na celebração.
CRiga.
Não faz tanto barulho assim
Pôw, a criança acabou de nascer!...
Ah, esse barulho aí
Tipo felicidade de ficar reencontrando
Gente da nossa espécie.
Nossa gente não tem jeito
Celebra no chorinho
E chora na celebração.
CRiga.
Não me bem-trate como mimo
Como o novo verde minimalista
Na Sua Nova Sala de Estar.
Presta atenção que eu também preciso de carinho e
conversa
Assim como água benta corrente
Que me sangre embaixo
E me reative em você.
CRiga.
Ando tão procurando aquela minha velha poesia
Que nem percebi que você me olhava
Compartilhava o que não podia.
Que você me via, me ouvia
Me cantava, me amava!
Foi daí que consegui sorrir
Sem precisar mais chorar.
CRiga.
Com uma música de Lulu na cabeça
Atravessei dias sem fim
Até a sexta-feira ainda feita de incertezas.
O que me move, cantarolando pelas ruas,
É a tua voz à capela naquela mesa de bar, que linda voz
Que linda menina!
“Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar subentendido
Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer.” *
* “Apenas mais uma de amor” - Lulu Santos
CRiga.
Quando cala, instaura a dúvida.
Se fala, é preciso cuidado –
Inclusive para ouvir.
Pode declamar poemas
Ou xingar o motorista.
Dizer que ama
Que tome cuidado na estrada.
Quando beija no rosto é carinho.
Nela é paixão!
Às vezes de selinho
Às vezes de tesão.
Engole sapos e outras bocas
Mamilos e mangas da estação.
Faz biquinho na selfie
E não sabe se portar sozinha no metrô...
Quando se abre gargalhando é piada boa,
Ou, no desenho animado, é o vilão –
Hoje criança tem medo da bruxa má?
Quando sorri é tanta coisa...
Gentileza.
Leveza.
Amor.
Sedução.
Felicidade.
Lembrança boa.
Um “olá”.
Um “tchau”.
Mal difícil ser.
Geralmente é muito bom.
É maldita, é da noite.
Cochicha preces na igreja.
Grita um nome ao portão.
Serve pra mandar a Roma
Ou pra puta que pariu.
Sozinha sente a lágrima correr salgada
E engole o choro disfarçando a dor.
Às vezes nunca falou
E as mãos fazem a vez
E a voz.
Às vezes fala demais
Inclusive com as mãos –
Que digam nossos italianos!
Bater com ela é baixaria.
Dela pra fora pode até não ser sério,
Mas às vezes magoa.
Pode dizer sobre tanta coisa boa...
Por que então maldizer
Querer estragar os dias?
Dos buracos da cabeça
É o único sem par.
Mas quando pareia
Incendeia!
Numa ceia dizem que traiu.
Em outros tempos tristes
Entregou inimigos à fogueira.
Hoje engana fiéis
Com fome de Verdade.
E canta!
Inclusive, paquera...
Morde e assopra.
Dilacera
Por ódio
E por amor.
CRiga.
Palavras são sérias, não desperdice
Palavras são fáceis ao vento
Cabem no bolso, se perdem no tempo.
Palavras são abra cadabras
Abrem portas ou destroem lares
Nos bares não têm relevância
Às vezes enganam como o mágico canastrão.
Saravá, se lá vi, sai pra lá
Vem pra cá pra ser feliz
Palavras correm na boca da praia
E morrem quando acaba o verão.
Tem gente que dá palavra
Tem gente que resolve no palavrão.
Tem palavra reta que conforta
Tem palavra torta que é verdade.
Palavras são pichadas na estátua da Justiça
Não foi bem isso que eu quis dizer.
Incontestáveis no contrato, no dicionário
Na Bíblia e no Kama Sutra.
Tatuadas são apenas palavras na pele
Declamadas marcam sem tinta.
Separadas são bem resolvidas
Às vezes se perdem na multidão.
Palavras custam caro
Mas não pagam as dívidas do banco
Nem as mágoas de um coração.
CRiga.