terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Enganar-se

 


Solidão é quando um pedacinho da borda da torta
Cai do prato no chão branco da cozinha.

Não adianta chutar pra baixo do móvel da pia –
Você sabe bem
Quem é que vai ter que limpar depois.

CRiga.

 


Me coloriu!

 


Prazer!

Já tem um sabor que escorre aos lábios
Ao desejo da boca contra a boca
E o teu cílio tocando o meu.

A pele negra parece a linda noite de estrela cadente
Eu me perco entre o brilho dos teus óculos de grau
E no cabelo pra hibernar novas sensações.

A idade da jornada dos ídolos do rock
Muito vem vividos, dançados, compartilhados.

Eu dancei com você no terreiro do teu orixá
Eu já te vivo nas histórias e nas possibilidades.

Eu te beijei na despedida, esqueci teu nome
Procurei teu rosto em todas as lojas daquela esquina
E morri onde te conheci naquela sexta-feira.

E hoje é só terça
E vem chuva por aí.

CRiga.




sábado, 13 de dezembro de 2025

Solidão

 


O tempo é o amigo calado sentado à mesa
Ao teu lado na refeição solitária –  

Ele ajuda a pôr o prato e os talheres
E às vezes até te dá a comida na tua boca.

CRiga.

 


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Jornada

 


Faz tempo, rapaz
Quase não te reconheço mais.

Um azul meio desbotado nos olhos
Uma cara de cansado
Cuidado – você não era assim.

A última vez que te vi, me lembro bem –
Era a paz de um sorriso
Olhos que cantavam serenidade
Vontade de compartilhar o que é bom.

Faz tempo, rapaz
O tempo foi capaz de esconder
Num lugar escuro
Do outro lado deste muro
A tua alma agora rota
Torta de tentar.

Não tente, sinta, vista-se da dor
Lembra, você já usou o luto do amor.

Faz muito tempo, rapaz
Mas nada é tão pra sempre assim
E você sabe, não corra, não fuja
Não finja, não negue.

Só segue, porque o ritmo é teu
Deixa o que passou passar
Para trás, cada passo é uma distância a mais
Mais um dia a menos de dor.

O tempo, rapaz
É o amigo calado sentado à mesa
Ao teu lado na refeição solitária,
Ele ajuda a pôr o prato e os talheres
E às vezes até te dá a comida na boca.

É o espaço ao lado na cama de casal
Que você não precisa se preocupar
Em arrumar.

É a noite o sofá gigante só contigo,
Ele também comenta o filme bonito que você viu.

Ele lava a louça, lava a roupa
Limpa a casa e tira o pó do piano.

O tempo, rapaz
Tenha certeza, só faz você
Se reconhecer cada vez mais.

Porque a jornada, você sabe, é longa
Mas não é eterna, rapaz.

Você está perdido, mas é capaz
Caminhe de mãos dadas com o tempo
Na serenidade que só ele
Conhece nos silêncios da dor.

CRiga.




Rumo

 


Água mole em pedra dura
Não precisa furar nada –

Serena
Ela apenas descobre um novo curso.

CRiga.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Operatório

 


Um adeus cravado no peito
Dói, sangra
Sagrado um dia cicatriza.

Me avisa quando a poesia
Ter sarado da cirurgia.

CRiga.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Poesia serena

 


Obrigado por devolver-nos aos nossos lugares.
Há um amor que nunca morre
Mas as escolhas de vida
São a vida, e tudo bem.

Eu agora retomo o meu caminho qualquer que seja
Retorno a mim, com certeza
Ao meu olhar tranquilo e voz serena.

Há um brilho azul e um beijo terno
Uma poesia bonita bem-guardada
Pra linda escolha
Que eu ainda vou descobrir.

CRiga.