Solidão é quando um pedacinho da borda da torta
Cai do prato no chão branco da cozinha.
Não adianta chutar pra baixo do móvel da pia –
Você sabe bem
Quem é que vai ter que limpar depois.
CRiga.
Solidão é quando um pedacinho da borda da torta
Cai do prato no chão branco da cozinha.
Não adianta chutar pra baixo do móvel da pia –
Você sabe bem
Quem é que vai ter que limpar depois.
CRiga.
Prazer!
Já tem um sabor que escorre aos lábios
Ao desejo da boca contra a boca
E o teu cílio tocando o meu.
A pele negra parece a linda noite de estrela cadente
Eu me perco entre o brilho dos teus óculos de grau
E no cabelo pra hibernar novas sensações.
A idade da jornada dos ídolos do rock
Muito vem vividos, dançados, compartilhados.
Eu dancei com você no terreiro do teu orixá
Eu já te vivo nas histórias e nas possibilidades.
Eu te beijei na despedida, esqueci teu nome
Procurei teu rosto em todas as lojas daquela esquina
E morri onde te conheci naquela sexta-feira.
E hoje é só terça
E vem chuva por aí.
CRiga.
O tempo é o amigo calado sentado à mesa
Ao teu lado na refeição solitária –
Ele ajuda a pôr o prato e os talheres
E às vezes até te dá a comida na tua boca.
CRiga.
Faz tempo, rapaz
Quase não te reconheço mais.
Um azul meio desbotado nos olhos
Uma cara de cansado
Cuidado – você não era assim.
A última vez que te vi, me lembro bem –
Era a paz de um sorriso
Olhos que cantavam serenidade
Vontade de compartilhar o que é bom.
Faz tempo, rapaz
O tempo foi capaz de esconder
Num lugar escuro
Do outro lado deste muro
A tua alma agora rota
Torta de tentar.
Não tente, sinta, vista-se da dor
Lembra, você já usou o luto do amor.
Faz muito tempo, rapaz
Mas nada é tão pra sempre assim
E você sabe, não corra, não fuja
Não finja, não negue.
Só segue, porque o ritmo é teu
Deixa o que passou passar
Para trás, cada passo é uma distância a mais
Mais um dia a menos de dor.
O tempo, rapaz
É o amigo calado sentado à mesa
Ao teu lado na refeição solitária,
Ele ajuda a pôr o prato e os talheres
E às vezes até te dá a comida na boca.
É o espaço ao lado na cama de casal
Que você não precisa se preocupar
Em arrumar.
É a noite o sofá gigante só contigo,
Ele também comenta o filme bonito que você viu.
Ele lava a louça, lava a roupa
Limpa a casa e tira o pó do piano.
O tempo, rapaz
Tenha certeza, só faz você
Se reconhecer cada vez mais.
Porque a jornada, você sabe, é longa
Mas não é eterna, rapaz.
Você está perdido, mas é capaz
Caminhe de mãos dadas com o tempo
Na serenidade que só ele
Conhece nos silêncios da dor.
CRiga.
Um adeus cravado no peito
Dói, sangra
Sagrado um dia cicatriza.
Me avisa quando a poesia
Ter sarado da cirurgia.
CRiga.
Obrigado por devolver-nos aos nossos lugares.
Há um amor que nunca morre
Mas as escolhas de vida
São a vida, e tudo bem.
Eu agora retomo o meu caminho qualquer que seja
Retorno a mim, com certeza
Ao meu olhar tranquilo e voz serena.
Há um brilho azul e um beijo terno
Uma poesia bonita bem-guardada
Pra linda escolha
Que eu ainda vou descobrir.
CRiga.