Às vezes queimam largada,
Maconha na esquina quebrada.
Cortiço na cidade silenciada.
Árvore na Amazônia, queimada.
O demônio na crente, gritalhada!
Trapo no molotov,
Liberdade atentada.
Índio no banco na praça,
Brincadeira de molecada.
CRiga.
Às vezes queimam largada,
Maconha na esquina quebrada.
Cortiço na cidade silenciada.
Árvore na Amazônia, queimada.
O demônio na crente, gritalhada!
Trapo no molotov,
Liberdade atentada.
Índio no banco na praça,
Brincadeira de molecada.
CRiga.
Um solzinho amigo no fim de tarde
Um machucado que arde, estou vivo!
Um livro na prateleira te encara
Na sala os meninos riem bastante.
Uma voz distante, um “tudo bem”
Uma flor nova que desponta no jardim
Um sim de última hora
Até a jiboia que nos visita é sorte.
Quem apenas espera a morte
Corre, cansa.
Perde nos detalhes
O sorriso simples da esperança.
CRiga.
Tenho vergonha de expor tristezas
Recônditos incompreensíveis.
Ninguém compra a flor que começa a murchar
Deixando um perfume de morte no ar.
Ou a maçã com aparência da pele idosa
Mas ainda saborosa dependendo do desejo
Dos dentes e da língua.
Há na garrafa empoeirada do boteco do Centro
Impregnada a história de um dia
Quando o alcoólatra era um cara legal.
Há na foto desbotada colada no relicário
Aquele mais doce segredo que o viúvo já esqueceu.
O casaco que arranha a pele no brechó
Já aqueceu um poeta e seu conhaque.
O vinagre já foi vinho
E a cruz a redenção –
Mas o padre desistiu.
Hoje não tem missa porque o Coral do Corpo de Cristo
Se vendeu ao Rock Inglês.
E a multidão no estádio grita a feliz unanimidade
De um ingresso muito caro.
Raro é o pulso magoado
Escrever um dia melhor.
CRiga.