segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Sabe o Poder?

 


A jazz rouca voz.
Uma brisa na tarde abafada.
Um novo romance.

Eu puxar você pela cintura
e a gente dançar pela praça.

Faça as malas que a gente vai viajar!

O solo do rock novo.
Água fresca no final da corrida.
Um olhar que sorri ao cruzar na calçada.

Eu desenlaçar o laço do teu vestido
sob a luz de um sol que entra pela janela.

Trame com ela
a trajetória de uma noite inteira!

CRiga.




sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Alma-gêmea

 


Quando você encontrar o blues
talvez seja eu
o blues a te encontrar.

CRiga.


Estrada do Funil

 


Faróis acesos na noite clara
vamos então cometer enganos
inventar amores
cores sabores rumores
e rimas.

Doce é a canção da água que corre
na margem contra a pedra
no rio das ideias que nos acompanha.

Cuidar nas curvas para não desafinar
nem desafiar a imortalidade
as leis da gravidade
e da relatividade:

melhor vivo do que morto,
torto a um simples careta.

Cometa o ato derradeiro –
me dê primeiro o teu coração.

São quantas estas velhas curvas
pra gente de novo se conhecer?

CRiga.
(fotos de Danilo Amélio)



quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Um dia de cada vez

 

É o que te resta no dia seguinte
depois da coragem dos vinte.

É o que te testa e você aguenta
depois da resiliência dos sessenta.

O que resta é muito.
O que testa também é.

Nunca é muito tarde
acordar e caminhar na praia
um dia de cada vez.

A festa no dia será o sol sorrindo
o rei nu te levando ao canto fresco
na arquibancada da arena.

E o sono na fresta da noite será a lua
a noiva que te conta num poema
aqueles segredos de virgem
que você já sabe tão bem.

Para Gilberto

CRiga.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Amor de verão

 


Uma folha cai

e o amor de verão despenca
no quadradinho do calendário.

Não suportará a graduação alcoólica
do vinho tinto francês.
Não contrairá a doença moderna
do rato conformado com pouco espaço
no apartamento muito bem mobiliado.

Pedirá licença pra fumar uma boa memória,
mas a história da área comum
é uma placa de advertência.

Filme europeu é gente demais vestida.
Na geladeira há uma cerveja esquecida
desde a comemoração do ano novo.

A vizinha vem todo dia apreciar histórias
de um verão como outro qualquer.

A vizinha vem
até quando a vizinha não está.

A mala esteve sempre pronta
pra voltar a viajar.

Não precisa saber desse tal de charme
da noite do inverno na cidade.  

Na praça só há cachorros encoleirados
e gente trotando uniformizada
correndo atrás do tempo
que sempre resiste serra abaixo.

Atrás da página arrancada
do mês que passou no calendário,
escreveu uma despedida:

“meu amor eu tou voltando
pra você.
Guardado quem sabe naquele próximo janeiro
no calendário que ainda nem saiu...”

CRiga.



terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Laisla

 


Laisla nasceu um dia
pra ser ilha tão linda
como reza uma canção.

Sonhos também lindos
navegaram mar aberto
contagiando simples pescadores
e fundando arquipélagos.

Laisla foi ilha bela
de um sonho de verão.
Talvez tivesse brotado do oceano
pra fazer sorrir
pra fazer chorar,
quem é que vai dizer...

Mas emergiu linda mesmo assim,
e se decidiu de ilha bela
tornar-se estrela infinita,
sua mensagem conseguiu deixar
na rede do pescador:

a mensagem do amor,
puro, simples
e eterno
como deve ser.

CRiga.
(Caderno Azul,
12 de agosto de 2001,
a uma criança que não nasceu)



segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Mail

 


Eu não tenho in box
nem out box.

Eu tenho é uma linda caixa de problemas
que o teu chato inglês enlatado
não quereria nunca resolver.

CRiga.