quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A esmo


Eu acho que já sabia
que eu ia me atrasar.

Essa vida não é pra gente
você é que tem sorte.

Você agora é pau de bandeira
eu
bom tecido boiando
perdido no vento forte.

CRiga.


Acaba


A estrada acaba
a gasolina
o rosto de menina.

O tempo de a gente sonhar
o bar
o ar mais puro
depois da chuva de verão.

Até maldade, mágoa, água do Cantareira,
grana, fama, o sono na cama
mas na beira de esquecer o que é bom,
uma coisa nunca acaba -

saudade
que acaba com a gente!...

CRiga.


Com a alma


Amanhã eu não terei compromissos
além de ler um bom livro
e esperar que a vida responda
o que eu já perguntei.


CRiga.


Rima rica


Algo me diz que a vida vai mudar.
E não é a morte.

Sorte mesmo é encontrar a rima
quando se está tão perdido assim.


CRiga.


A dona da tempestade


Ela esperou
mais que o tempo que foi preciso.

A chuva chegou, ninguém mais.
Com o braço direito tatuado
escolheu uma boneca de pano
e uma barra de chocolate.

Decidida a não mais esperar
enfrentou a tempestade
os raios, os trovões.

Ninguém me vence
a boneca vai murchar
chocolate derreter.

Ninguém nunca aqui
saberá mais de mim.

CRiga.


Vou me atrasar


Desculpe amor, está chovendo
acho que vou me atrasar.

Devo dizer que,
mesmo quando a chuva passar,
não tenho muito rumo
pra você me acompanhar.

Perca as esperanças nos reis
eu não levo jeito
pra bobo da corte.

O que ainda resta do meu caminho
não inclui pedir migalhas.

Me desculpe, eu não sou assim
nossos príncipes
hão de entender.

Mas agora a chuva cai
e eu sei, vou me atrasar,
mas eu chego em algum lugar.

CRiga.



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Privilégio


Ainda não é a hora
daquele desespero brasileiro.
Aliás, brasileiro nem se desespera
não espera a peteca cair
dá uma pirueta e se apruma
pro próximo espetáculo.

Na minha certidão consta: “brasileiro”.
Mas eu só penso na maldita hora
que o agora me permite pensar.

Minha peteca está no ar.

CRiga.