O bom dia
É a mão gelada d’alma penada
Tapando a tua boca
Congelando a tua voz.
O boa tarde
É o amigo calado sentado à mesa
Ao teu lado na refeição solitária –
Ele ajuda a pôr o prato e os talheres
E às vezes até dá comida na tua boca.
O boa noite
É a melatonina feito britadeira de asfalto
Forçando uma cova rasa na cama fria –
Um sono perturbado de manchetes
Viagens às pressas
E um nunca conseguir chegar.
Depois da confusa madrugada
Vem de novo a mão gelada
D’alma penada te acordar, te calar.
Virar de volta a moribunda areia da ampulheta
Nesse eterno déjà vu
Chamado estar só.
CRiga.


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