sábado, 24 de janeiro de 2026

A vida dá um curta a cada semana

 


Quando eu voltar do futuro
Numa blitz à meia-noite,

Eu não quero olhar para o relógio
Nem me comover parado no tempo
Polindo o cinza de um Fork Ka selvagem
Num dia ensolarado
Numa estrada que tem nome de funil.

Eu não espero a abóbora carruagem
Nem a bicicross cruzando a lua cheia.

Eu já aprendi a superar as tragédias do mar.
Já apunhalei a bruxa velha da Branca de Neve
Dormindo tranquila na cama do meu pai.

Já tive o privilégio de quebrar o vidro caro
Por alguma confusão de amor.

Já falei do vento que te levou.

Já falei do tempo
E de Drummond.

CRiga.




A minha preta



Era um sábado triste
De notícia triste
De tempo triste
De pessoas tristes.

Até os bonitos e as belas
Eram tristes, pobrezinhos.

Os bebês, as crianças, os casais
Brincavam tristes por obrigação.

Apenas aquela preta sorria.

E me enchia de alegria!

CRiga.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Para o meu vermelho preferido!

 


Aproveita que tou fácil, me chama
Praquele depois de amanhã talvez.

Avisa aí de novo o teu novo amor
Que eu pretendo revisitar projetos.

Tem jeito de amar que não é nada pop.
E tem jeito top de a gente ainda se falar.

Tem jeito de a gente se gostar!
Sem querer procurar sarna
Pra você sabe onde é que vai dar.

CRiga.




terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Em mim

 


Nesse labirinto o Minotauro já é um velho amigo
E sair daqui agora nem é mais questão de esforço -
É de se vale a pena me perder de novo
Em outro lugar.

CRiga.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Radioescuta

 

Na noite de tempestade eu te avisei:
“Não te demora!”

Hoje São Pedro me sussurrou no cangote
Dentro daquele meu velho headfone:

“Vou passar forte por aí e afora
E nem sei se é por agora...”.

Se descrês
Procura então a tua nova hora
Num Google relógio da depressão -

Se ele ainda for de graça
Gratuita sempre foi
A flor do meu coração.

CRiga.





 

Você com ela, agora!

 

“Estaria fazendo
Coisas desoriginais.”

CRiga.


Ritual de quebra de ritual

 


Na retina, a rotina.

Rotina quebrada.

Recolar os cacos.

De novo se cortar.

CRiga.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Uma sexta-feira de verão (Paulista)

 

(foto by Cauê Rigamonti. Se conhece, pode usar)

Aí eu não tropeço, é tudo o que te peço - 
Não me chame à janela
Não me deseje nesta noite de verão.

Ficaria aí pra sempre batendo em teu peito
Meu cheiro com teu seu cheiro
Tua lágrima, minha força.

É que daí me deixo
E o sol que você também precisa
Nunca mais voltaria pra te renovar.

Te ofereço apenas a minha brisa leve
Aquela em que a esperança canta breve
Um ventinho que refresca a noite.

Quanto a mim, não se preocupe - 
Amanhã eu chego lá em Sampa
Do meu jeito, intrometida!

Mas não vou atrapalhar a tua conversa -
Esse rapaz chamado Sol é primo querido.

São todas nossas as tardes lindas
De qualquer sábado ou domingo de sol.

CRiga.






Little things

 


Sim, elas me completam
Elas são flashes de memória
Elas contam toda a história
Amigas estrelas cadentes
Do outro lado do monte escuro,

E é lá que vou encontrando
Sempre um pouco mais de mim.

CRiga.




A Deixa

 

A nossa vida tem todos os defeitos
Os pesos que o nosso papel pode suportar.

Mas a mesma lágrima que cai borrando o texto
Também escreve na areia do tempo
No palco, no picadeiro
Do que o espírito primeiro
Precisa pra se reencontrar.

CRiga.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Na distração

 


O que vai ser de você
Quando não tiver mais nada pra fazer?

Vai tentar arrumar algo talvez desarrumado
Mas tudo estará em seu lugar,
Graças a Deus!

E nem o samba você terá como tocar
Nem cantarolar meia letra
Porque não teve tempo de decorar.

E vai lembrar
Que tinha alguém que fazia tudo por você.

E vai se lembrar daquela velha e boa Rita Lee
Dizendo que se livrou de uma vida vulgar,

Mas que agora
Só falta você!

CRiga.




quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Vem comigo e retoma o teu atalho

 


Eu não posso mais parar na estrada
Já tive tantas paradas pra me encontrar
E nada...

Eu ainda procuro meu sol nascente
Apenas caminhando para frente.

Não me tente, não me afogue
Eu estou sempre aqui pra te dar meu ombro.

Mas minha alma, essa boba alma de esperança
Ainda dança perdida naquela mesma brisa
Ainda precisa se libertar.

CRiga.