domingo, 30 de novembro de 2025

Ecos de mim na escuridão

 


Hoje me permito testar-me triste
Só um pouco
Um pouquinho
Sem máscaras
Sem lágrimas
Sem mágoas
E sem dever nada pra ninguém.

Limar um pouco mais a crosta
Sobre meu vermelho coração.

Amar o muito que me resta
O que me traz de volta.

O brilho que me escolta
Na agora amiga escuridão.

CRiga.


   


Piratas

 


O que resta de mim
Você não vai capturar.

Ninguém disse que seria fácil remar
Mas estou inteiro
Veleiro navegando tranquilo no pôr-do-sol.

O que resta de mim sou eu
Cavoucando a terra roxa da minha alma
E colhendo os velhos diamantes.

O que me testa me ensina
Que o tesouro maior de mim
Está muito longe da tua pilhagem.

Foi-se o tempo achar-se romantismo
Essa decadência da pirataria
Me roubando todo dia.

CRiga.


  


Honey’s Dead

 


Eu me visto de domingo
Uma visita inesperada.

Eu boto cada coisa em seu lugar
Não me permito mais bagunçar.

Eu me desnudo, me acudo
Tudo tem seu tempo e direção.

Eu coloco o velho disco na vitrola
E nem preciso mais aumentar o som
Pra abafar aquela certa dor.

CRiga.




Armadilhas da Língua

 


Não desejo me bastar
Intransitivo.

Também não quero depender
Transitivo.

Verbos são perigosos
Quando conjugados pelo coração.

CRiga.


Crônica direta de uma liberdade anunciada

 


Aprendi que amar não é sofrer.

Quem ama liberta
Liberta-se.

E essa sensação é a melhor -
Amar e ser livre
Ser livre para amar com sabedoria. 

Discrição, autonomia
Seletividade.

Liberdade!

CRiga.

sábado, 29 de novembro de 2025

Biscoito chinês

 


Tem um momento docemente lúcido
Quando aquelas boas mensagens que te ajudaram
Se tornam apenas banais, sacais.

Nada demais –
Apenas você encontrando o rumo
Sem atalhos
Sem precisar mais mentir pra si.

E você sorri
Porque a leveza
É a certeza da beleza
Em cada passo calmo
Em cada suspirar profundo
Cada olhar pra frente, sem lágrimas.

Sem pressa, porque a dor
Também cessa.

 CRiga.




sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Sobre sempre

 


Atente
Há um coração partido
E não há cola super bonder que force a barra
Que o disfarce feito inteiro novamente.

Ele cicatriza no eco do teu silêncio
Mas precisa sangrar, comer-se a pele infeccionada
Até curar-se das evidências, da rotina
Que você esqueceu num canto de alma qualquer.

A questão é de vivência
A cicatriz só nasce
Quando o sangue seca.

CRiga.




sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Psico lógica

 


Eu já estive aqui. Há algum tempo.

Do que me lembro sei que foi difícil.
Muito difícil.

Mas eu cheguei na paz de compreender.
Agora estou na guerra de reaprender.

E sei que será ainda difícil.
Mas melhor é saber do caminho
Do que se enganar tentando atalhos.

Uma hora a roda do mundo para de te sabotar.
De ficar bolindo com o teu coração.

É questão de escolha:
Viva, sofra e seja humano
Em vez de mendigar autoafirmação.

CRiga.    




O músculo involuntário

 


Desgaste a pedra que tomou teu coração
Lágrimas ajudam, tanto batem até que furam.
Vai lixando, mas lapidando
Não dê a força da mágoa na vontade
Diminuindo o tamanho de sua grandeza.

Porque ele é grande, você sabe.
Ele bate vermelho em vez do preto
Que ultimamente tem descolorido seu compasso.

Ele jorra sangue de paixões nas desatadas emoções
Ele pulsa poemas e canções.
Ele também sabe bater com o ritmo
De quem só quer a paz de um caminhar no parque.

Ele é coração que quando ama
Sai da cama à cinco da manhã
Só pensado em te dar bom dia!

CRiga.




Stop!

 


Às vezes até o rock and roll grita -
Espera!

A fera antes adormecida uiva de longe -
Tou chegando!

A ruiva demonstra que não é bem assim,
Apenas um elogio ao seu cabelo de fogo.

E tudo bem, tudo segue no caminho certo
A água bate na pedra
Desvia seu curso
Mas no fim é o rio é o mesmo.

CRiga.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

domingo, 16 de novembro de 2025

"Freedom's just another word for nothin' left to lose"

 

Ela se cansou do meu jeito gentil
E foi viver a objetividade
Que o meu amor nunca saberá objetivar.

E tudo bem!

Tem amor de um jeito
E tem amor de outro.

Amor é amor
Mas amar-se
É o principal.

CRiga.



sábado, 15 de novembro de 2025

Permita-se

 


Não há nada de errado
Sofrer
Desejar
Não conseguir.

É feito de pétalas o tempo
Uma alameda tranquila
De apreciar as grandes árvores
Ou chorar a falta de fôlego
Pra continuar.

Só queira não parar
Correr
Morrer
Ser o palhaço que finge sorrir
No centro da praça da cidade.

Vista-se da camiseta branca
Abranda esse olhar azul.

Tem gente que nota
Tem gente que volta
Pra te devolver aquele velho e bom querer.

CRiga.




Beijo


O que há é o que resta
A festa do meu silêncio
Cansado de dizer adeus.

CRiga.


Carina

 


Enquanto não soubesse o teu nome
Não voltasse de onde parti primeiro
Não visse o novo cobre cabelo iluminando a sexta-feira.

Eu não me encontraria.
Eu traria flores
Mas eu não sabia.

Cores. O teu cabelo.
Sabores à vista
O teu doce veneno.

CRiga.


sexta-feira, 14 de novembro de 2025


 

Fresta

 


O único olho mágico que tens de mim
É tentando desmofar os teus morangos.

Não me vigies.
Perderás tempo se procurando aqui.

CRiga.


Compasso complexo

 


Às vezes são cinco segundos
Minutos. Agora, não mais horas.

Não tem mais sido cinco dias também.
Já se passam mais de cinco semanas.

Há cinco vidas me encontrei
Outras cinco eu caí.

O compasso é raro, é caro
É faro.

Improvise!

CRiga.


E assim passando os dias

 


Recuperando o que bem sei
O soul
A voz
O tom
O azul
As histórias.

Perdes muito tempo pensando
Amassando o pão que o diabo te deixou.

CRiga.


domingo, 9 de novembro de 2025

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Love is not a competition

 



Só de preservar o sorriso frente à linda oportunidade 
Eu estou vencendo.

*”Love is not a competition”, Kaiser Chiefs.

CRiga.


Karina


Você veio, sorriu tão lindamente, e eu não entendi.

Porque além dessa paz que não invade nada nem ninguém
Há aqui um coração ferido
E um beijo perdido
Que ainda não sabe como encontrar o teu.

CRiga.


Resgate

 


Você precisa se cansar
Achar um saco
Uma perda de tempo
Uma coisa que não vale a pena.

Talvez até um pouco de raiva te dê força
Porque mágoa só, esconde uma certa esperança.

Precisa mesmo avançar os sinais, ousar, beijar
E até querer ver aquela criatura outro dia.

Você precisa mesmo se reconhecer
Recuperar a identidade, aquela sua velha paz
E o sorriso leve que levava a vida azul.

Feito polen que atrai as abelhas
Até o mel pra compartilhar.

CRiga.




segunda-feira, 3 de novembro de 2025


 

Pra encerrar a conta

 


Uma poesia de vida
Que chame alegria
Amor
E atenção.

O resto
A gente divide no cartão.

CRiga.  


Stop!

 


Você não verá mais
Eu desmofando amores por você.

Você não me verá mais
Nem com binóculos
Nem com vontades.

Aqui te enterro
Aqui te encerro
Aqui já foi.

Pode contar
Pode parar.

“O mundo começa agora
Apenas começamos” (*)

(*) Renato Russo

 CRiga.  



Quando acontecer

 


Deixemos assim
Que o acaso construa
Seja no rock, seja no soul
Seja na pista, seja no show
Seja na conversa, no beijo
Em toda a possibilidade
Que não caiba a amargura de só procurar.

CRiga.  

domingo, 2 de novembro de 2025

Você me destruiu

 


Dinamite no edifício do velho centro da cidade
PT no bom carro que dava pra confiar
Quebra-cabeça desmontado, peças perdidas em cada canto
Taça cheia do vinho tinto ao chão
Cacos agora escondidos
Vão demorar uma eternidade pra ser varridos.

CRiga.