quarta-feira, 11 de junho de 2025
Sem ponto cardeal
quinta-feira, 5 de junho de 2025
THE CULT - “ELECTRIC”
Conheci Cult ouvindo “Edie” e “Fire Woman” na 89 FM, e
adquiri o “Sonic Temple” e também o “Love”. Mas foi numa conversa no trabalho,
na ótica Blue Nice, em meio ao cheiro de química da revelação de filmes, que um
colega de óculos de aros grossos e pretos, e camiseta preta, me aconselhou:
“Então você tem que ouvir o Electric. É puro rock and roll ”. Enfim!
CRiga.
Da série "Discos que Marcaram".
Eu sou um velho palhaço
segunda-feira, 2 de junho de 2025
COCTEAU TWINS - “HEAVEN OR LAS VEGAS”
Outro CD que o colega jornalista Marcos Vicente levava ao
fechamento do Jornal Notícias às quintas-feiras. A princípio, estranhei a voz
angelical de Elizabeth Fraser, mas a cada audição do disco era uma deliciosa
descoberta. Etéreo e modernamente gótico. Que disco lindo!
CRiga.
Da série "Discos que Marcaram".
Vila Leopoldina
Ele não sabia que, entre as suas pernas enquanto sentado no corrimão do cursinho, ela sorria pedindo sua atenção. Ele não sabia que o coração era tão traiçoeiro quanto o tempo, que não curava feridas porra nenhuma. Ela cantava aquela canção do Robert Plant, dizendo que se lembrava dele na hora em que loirão gritava “I burn in love”... Ele sabia inglês, mas não quis saber o que significava.
Anos depois, visitou-a sem culpas de entender. Na verdade sem mais nada – naquele coração cego e surdo por sensatez jazia o vazio de uma tristeza incomunicável, um tempo cinza chuvoso de setembro e um vagar pela cidade e parar na sua casa para um oi.
Almoçou com ela e com a mãe, o almoço do pai falecido. Ela tinha novos discos, e conseguira achar aquele do Terence Trent D’arby, com “Seven More Days”, de um velho comercial de jeans em que o cara ficava um tempão esperando a namorada se vestir, ele num carro conversível, fez sol, fez chuva, e ela sai vestida no jeans perguntando: “demorei?”, e ele responde: “não, acabei de chegar”.
Ele demorou... um namorado viria vê-la amanhã, ele gostava de Beto Guedes e Belchior. Ele não conhecia, mas sabia do “não dá mais” brusco do seu olhar. Ele a conhecia. E ela o conhecia, e sabia que saindo dali ele compraria discos do Beto Guedes e do Belchior. E comprou mesmo.
Ele foi embora não arrependido de ter ido, nem arrependido de ter se feito cego anos antes, nos corredores e corrimãos do cursinho, ou à caminho do ponto de ônibus depois das aulas encerradas tarde da noite. Foi embora arrependido de nunca ter convencido ela que sabia dos olhares pedintes, das traduções, dos códigos tão jovens. Arrependido da insistência em dizer amiga, amiga... Amiga, palavra triste quando se perde um grande amor...
CRiga.


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