quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Saudosismo na ponta da língua
Há na gente essa língua lambendo,
dente mordendo lábios. Vontade.
Jazz do bom.
Há um olhar no imaginário horizonte,
a busca pela juventude com respostas.
Tuas costas sobre meu peito,
a transa no verão.
As mãos dadas são sinceras,
não tenho mais olhos pr’outras belas,
é verdade, meu amor, são só para você!
Enquanto a gente aprende o encaixe,
os garotos quase na adolescência
voltam a curtir o Lego guardado
no guarda-roupa sempre mofado.
O entalhe do punhal sobre o cedro
é o mesmo da faquinha fajuta do 1,99.
Corta pra gente o pão de hoje,
alimento do sempre
o mesmo bom antigamente.
CRiga.
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Morrer de amor num filme de ficção
Vou quebrar os teus cristais.
Rasgar o teu retrato.
Amaldiçoar o teu nome.
Dizer mentiras sobre ti.
Roubar as chaves da tua casa.
Queimar a tua casa!
Queimar a tua casa!
Vou passar pelo beco escuro
negar a esmola, olhar com pena.
E finalmente
não irei ao teu enterro...
Ao lado do teu eterno leito
enterrado há muito muito tempo
eu já estarei te esperando.
Com flores e um novo roteiro
pra juntos a gente encenar.
CRiga.
(Caderno Azul, 1997)
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
Rapadura
Para o sonho acontecer
você tem mesmo que encarar o sol.
Receita de bolo, escuta rapaz:
se desandar, a culpa é da mão.
Tem bolo pra entregar às 4 da manhã.
Não tem pão hoje, estou atrasado.
Ônibus lotado, tem gente que conversa
sobre algumas doces felicidades.
O atalho machuca o joelho.
Ouse na letra, que você convence!
É andando que a dor às vezes
sente vontade de sorrir.
Diga o bom dia da madrugada
com aquele sorriso de sol de meio-dia.
Dê um pó guaraná que seja
pra que ele atenda todos os seus fregueses.
É que depois daquele morro de florestas incertas,
há o vale aberto do teu sonho te sorrindo
e te dizendo
“vem que eu só venho se você for junto”.
CRiga.
1º de dezembro
Aquela velha
e morna sensação
De que o
primeiro dia
Do último mês
Renova
qualquer esperança
Nem que seja
a suaves prestações
Ou num pedido
de perdão.
Quem tem
dívida negocia
Pra daqui a
um mês
Pagar um novo
carnê.
Quem espera
abre a janela
Há de quebrar
aquela esquina
Quem te
roubou beijo na juventude.
Pra quem
gosta de contar
Agora são
vinte e quatro
Até de novo
rezar a reza mais alto.
Pra quem
gosta de comemorar gritando
Seja o que
for, são trinta festas de reis
Até
a noite virar o dia de recomeçar,
Aquela nova e quente sensação
Do primeiro dia
Do primeiro mês.
CRiga.
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