quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Noite de verão


Porque agora
há noite ainda.

Paladar de deuses insones
recitando estrelas
de desejos pueris.

Faz tempo que a madrugada chama
ama segura sincera silenciosa.
Boca preta cheia de dentes perfeitos
que te come a alma mastigando poemas.

Besouros não gostam da luz amarela.
Abre a janela, vem pro jardim –
tem satélite, cadente e uma brisa.

Abre a camisa, seja valente.
Dá de beber ao poeta insolente
cujo prazer no gole profundo
goza o fim do mundo
numa eterna noite quente.

CRiga.



Traí, tou na capa da revista


A plástica beleza dá
a falsa impressão
de que é o mundo que tá errado
fora da moda.

Fraqueza…
Foda é aguentar likes, fakes
banalidades e “personas”.

Tanta curva de personalidade
tanta vaidade de boneca de porcelana.

CRiga.



terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Apenas um cósmico lamento



Vagalumes se confundiam nas estrelas
e eu nem tinha tantos desejos assim
aos astros que caíam riscando a noite.

Foi quando com muito esforço formei
teus olhos brilhando me observando
numa vaga constelação de canto.

Cadente lágrima caiu
e o pedido foi um grito surdo de perdão.

Apenas um cósmico lamento –
o céu fechou-se santo de pau oco
crucificado no falso cruzeiro do sul.

CRiga.



Sapato velho


Uma das piores sensações de um homem
é o estágio em que ele sente vergonha
de seus sapatos.

É quando toda a humildade que ele sempre cultivou
não vale mais que a falta de lustre
e de couro.

Quando o engraxate se torna
padre confessor.

CRiga.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Diminuto


Há uma solidãozinha que cutuca o peito, sabe...
Um amargorzinho de folha em branco,
um medinho de não sei o quê.

Dorzinha fria que nem ponta de faca cega.
Uma sensaçãozinha de abstinência
frio na espinha
no meio da tarde de verão.

Bolinha murchinha murchinha,
moleques gritam as férias na quadra.
Palavrinhas à brisa morna, vão-se embora
me deixam sozinho, escória.

Agorinha eu tinha onde me escorar
ainda tenho onde morar, uma casinha
um sonho, uma cidadezinha.

Putinha essa sensação de nada
nadinha nadinha...

CRiga.

domingo, 6 de janeiro de 2019

O eco do Panema


Ela vinha.
Sempre vinha!
Sorria
Ria
Gargalhava
Era a graça descansando
Brincando de viver.

Ela vinha.
Falava
Agia
Fazia
Cozinhava!

Ela contava a história das cidades
E dançava no refrão.

E quando a vida queria explodir
Ela gritava alto no Funil.

Para Inezita

CRiga.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Mail


Eu não tenho in box
nem out box.

Eu tenho é uma linda caixa de problemas
que o teu chato inglês enlatado
não quereria nunca resolver.

CRiga.