O outono e sua faca cortante de ódio contido.
Frio seco feito lâmina na cara que encara o caminho
Um doce crime licor de ácido na boca da noite.
Céu de estrelas atrás da fumaça
A feia urbanidade vira poesia.
O dia uma boba fuga prum café subversivo na esquina do beco.
E com a ex-secretária do velho partido
Tramar revoluções embaixo dos cobertores.
O outono e sua face de sensações contra o sentido da areia da ampulheta.
Violeta murcha, rosa que não a vermelha.
Dor no peito que não o sangue da autoritária bala de borracha.
Estanque o desejo!
Guarde o frio seco quase sangrento
No fio da faca do vento.
O outono e seu eterno vinho pela metade
Escondido embaixo do casaco da cidade.
Já não somos mais tão jovens
E não temos mais tantas conspirações.
O outono agora é só a impressão da tola importância que demos às boinas
Aos cadernos nos bares e suas poéticas revoluções.
O outono e sua faca cortante de tantas desilusões.
CRiga.


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