sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Lista de sobrevivência

 


Signo às coisas
Rumo ao espírito
Corpos aos desejos
Independência ao caminho
Amnésia à dependência
Música à sem-gracisse
Quadros às paredes
Verdade posta à mesa
Um sorriso singelo
Amarelo então que seja.

CRiga.




Me devolve meu verso quebrado

 


O que me dói
Não é a tua ausência.

É remover diariamente o pó de sempre
Dos cantos desse apartamento moribundo
E nem ali eu conseguir me encontrar.

Não é apostar abrigo
Em rasas possibilidades.

É este caminhar num silêncio profundo
Enquanto o mundo nega me devolver
A minha rima, ainda que quebrada
Numa esquina de noite qualquer.

O que me dói é a minha ausência
Minha falta de paciência
De parar e escrever um verso
Que não seja por você.

CRiga.